Safra de grãos deve atingir 350,4 mi de toneladas em 2026

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A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 350,4 milhões de toneladas em 2026, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O volume representa um crescimento de 1,2% em relação à safra anterior, equivalente a 4,3 milhões de toneladas adicionais, além de uma alta de 0,5% frente à estimativa de abril.

O resultado reflete a combinação de ampliação das áreas cultivadas, maior adoção de tecnologia nas lavouras e condições climáticas favoráveis em boa parte das regiões produtoras. O desempenho também estabelece um novo recorde para a série histórica da pesquisa.

A soja permanece como principal destaque da safra brasileira. A produção da oleaginosa foi estimada em 174,6 milhões de toneladas, volume recorde e 5,1% superior ao registrado em 2025. O cultivo ocupa área estimada de 48,3 milhões de hectares, crescimento de 1,1%, enquanto a produtividade média deve avançar 4%, alcançando 3.617 quilos por hectare.

De acordo com o IBGE, a expansão da soja reforça uma tendência observada nos últimos anos: a consolidação do grão como principal produto agrícola do país. Atualmente, a cultura responde por quase metade de toda a produção nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas.

Nem todas as culturas acompanham o avanço

Apesar do resultado positivo da safra nacional, alguns produtos registraram retração. O arroz apresentou queda de 11,4% na produção, enquanto o feijão recuou 5,8%, cenário que acende um alerta para o abastecimento interno.

Segundo o IBGE, a produção de feijão pode ficar próxima do limite necessário para atender ao consumo nacional, o que poderá exigir importações pontuais ao longo do ano.

O milho também apresentou redução de 1,7% no volume total produzido. Embora a primeira safra tenha registrado crescimento expressivo de 15,8%, a segunda safra, responsável pela maior parcela da produção nacional, deve recuar 5,5%.

Outras culturas com desempenho negativo foram o algodão herbáceo, cuja produção caiu 8,1%, e o trigo, com retração estimada em 7,8%.

Centro-Oeste mantém liderança absoluta

O Centro-Oeste segue como principal polo produtor de grãos do país, concentrando 175,9 milhões de toneladas, o equivalente a 50,2% da produção nacional estimada. A região é seguida pelo Sul, com 92,4 milhões de toneladas, e pelo Sudeste, com 30,8 milhões.

Entre os estados, Mato Grosso permanece na liderança, respondendo sozinho por 31% da produção brasileira. Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais completam a lista dos maiores produtores, concentrando juntos quase 80% de toda a safra nacional.

No caso da soja, Mato Grosso deve atingir 50,7 milhões de toneladas, seguido pelo Paraná, com 22 milhões, e pelo Rio Grande do Sul, que registra recuperação expressiva após perdas provocadas por eventos climáticos na safra anterior.

Aumento de estoques

Além dos dados de produção, o IBGE divulgou a Pesquisa de Estoques, que apontou crescimento da capacidade de armazenagem agrícola no país. No segundo semestre de 2025, a estrutura disponível alcançou 233,8 milhões de toneladas, avanço de 1,1% em relação ao semestre anterior.

O número de estabelecimentos de armazenagem também aumentou, chegando a 9.668 unidades. O maior crescimento foi registrado na Região Norte, seguida pelo Nordeste e Sudeste.

Os estoques de milho lideravam o volume armazenado ao final de 2025, com 22,8 milhões de toneladas, seguidos por soja, trigo, arroz e café. Juntos, esses produtos representavam mais de 90% dos estoques monitorados pela pesquisa.

A análise histórica mostra uma transformação significativa na infraestrutura de armazenagem brasileira. Nos últimos 28 anos, a capacidade dos armazéns convencionais caiu quase 57%, enquanto os armazéns graneleiros e os silos registraram crescimento de 151,4% e 469,7%, respectivamente. A mudança acompanha a expansão da produção de grãos e a necessidade de estruturas mais adequadas para o armazenamento em larga escala.

Peso do agronegócio na economia

Os dados do IBGE evidenciam a força do agronegócio brasileiro e sua crescente dependência da soja como principal motor de expansão. Ao mesmo tempo, apontam desafios relacionados à diversificação produtiva, ao abastecimento de culturas voltadas ao mercado interno e à ampliação da infraestrutura logística e de armazenagem para acompanhar o ritmo de crescimento da produção.

Com a colheita recorde prevista para 2026, o setor reforça sua relevância para a balança comercial brasileira e para o desempenho da economia nacional, mantendo o país entre os maiores produtores de alimentos do mundo.





ICL Notícias

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