Petróleo supera US$ 110 após ataques no Golfo

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O preço do petróleo iniciou a semana em forte alta e atingiu o maior valor de abertura desde março, em meio à escalada militar e diplomática envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Na noite de domingo (17), o barril do tipo Brent, referência internacional, era negociado acima de US$ 110, impulsionado pelo aumento das tensões no Oriente Médio e pelo temor de interrupções no fornecimento global da commodity. Nesta manhã de segunda-feira (18), o valor do Brent se mantém pouco acima daquele valor.

O Brent abriu cotado a US$ 110,26 e chegou a US$ 111,50 ao longo da noite, acumulando valorização superior a 2%. Já o WTI (West Texas Intermediate), referência do mercado norte-americano, subiu mais de 2%, ultrapassando os US$ 108 por barril.

A valorização ocorre após novos ataques registrados nos Emirados Árabes Unidos. Um drone atingiu a área externa da usina nuclear de Barakah, provocando um incêndio sem deixar vítimas ou alterar os níveis de radioatividade, segundo autoridades locais. O governo dos Emirados afirmou que os equipamentos teriam entrado pela fronteira ocidental e atribuiu a ação a grupos alinhados ao Irã.

Escalada política amplia pressão sobre mercado

O ambiente de instabilidade ganhou força após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a ameaçar Teerã em publicação na rede Truth Social.

“Para o Irã, o tempo está se esgotando, e é melhor eles se mexerem rápido, ou não restará nada deles”, escreveu o presidente estadunidense.

A resposta iraniana veio poucas horas depois. O porta-voz das Forças Armadas do Irã, Abolfazl Shekarchi, afirmou que uma nova ofensiva norte-americana provocaria “cenários inéditos, ofensivos e surpreendentes” contra interesses dos Estados Unidos na região.

O episódio evidencia o fracasso das tentativas recentes de retomada das negociações diplomáticas. Emissários dos dois países não mantêm conversas diretas desde abril, após uma reunião realizada no Paquistão.

Estreito de Ormuz segue no centro da crise

Além da tensão militar, o mercado acompanha com preocupação a situação do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o Irã passou a impor restrições à circulação de embarcações na região, utilizando o estreito como instrumento de pressão geopolítica. Em resposta, os Estados Unidos ampliaram operações militares e restrições a navios ligados ao comércio de petróleo iraniano.

A combinação de bloqueios, ameaças e incertezas elevou os temores de desabastecimento global e ajudou a impulsionar os preços da commodity nas últimas semanas.

Em maio, Trump chegou a suspender temporariamente o “Project Freedom”, plano militar destinado a escoltar embarcações comerciais e garantir a reabertura de Ormuz. A iniciativa foi interrompida para permitir a retomada das negociações, que seguem sem avanço concreto.

Mercado reage ao risco de oferta global

Antes do agravamento do conflito, o barril Brent era negociado próximo de US$ 73. Desde então, a commodity acumula forte valorização diante do risco crescente para a oferta internacional de petróleo.

Analistas avaliam que o mercado opera sob forte sensibilidade a qualquer notícia envolvendo infraestrutura energética no Oriente Médio. Ataques a instalações, ameaças de bloqueio marítimo e dificuldades diplomáticas aumentam a percepção de risco e estimulam movimentos especulativos no setor.

A persistência do impasse entre Washington e Teerã mantém investidores atentos aos próximos desdobramentos militares e diplomáticos, especialmente em torno do programa nuclear iraniano e da circulação de navios pelo Golfo Pérsico.

 

 





ICL Notícias

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