O presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera anunciar até o fim desta semana a confirmação da candidatura do deputado Patrus Ananias ao governo de Minas Gerais pelo PT tendo o deputado estadual Gabriel Azevedo (MDB) como vice. Aos 76 anos e com reeleição assegurada para a Câmara dos Deputados, para onde se elege sucessivamente desde 2010, Patrus aceitou a missão dada por Lula para rodar o estado pedindo votos à moda antiga – direto em grandes e pequenos comícios, diuturnamente, pelos próximos 85 dias – dando vazão ao respeito e à popularidade que conserva em todo o território mineiro.
Patrus Ananias foi prefeito de Belo Horizonte entre 1993 e 1996. No cargo, implantou políticas sociais icônicas que se converteram em marcas do Partido dos Trabalhadores como a Rede de Restaurantes Populares (bandejões onde todos podiam comer as três refeições a preços fixos de R$ 1), a Cesta do Povo (uma espécie de quitanda popular subsidiada pela Prefeitura onde a feira saía ao menos 30% mais barata do que nos mercados) e o Orçamento Participativo (os belo-horizontinos decidiam diretamente, em assembleias populares, as prioridades orçamentárias do município).
Em 2002, ano em que o presidente Lula se elegeu para o 1º mandato, Patrus saiu consagrado das urnas estaduais mineiras. Com 520 mil votos, tornou-se o deputado federal mais votado da história mineira e, naquele ano, o 2º mais votado do país. Ficou atrás, apenas, do emblemático e esganiçado Enéas Carneiro, do Prona, cuja votação em São Paulo é recorde até hoje: 1,57 milhão de votos.
Em 2004, quando a gestão da área social do primeiro mandato do presidente Lula parecia desfocada e dispersa, o ex-prefeito belo-horizontino foi chamado a assumir o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) para destravar programas como o Bolsa Família e pôr para andar o “Fome Zero”. Agregando em sua equipe pessoas que haviam trabalhado com a ex-primeira-dama Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Patrus Ananias conseguiu pôr em sintonia governadores de diversos partidos diferentes e prefeitos das principais cidades brasileiras. A missão era fazer todos convergirem para a pauta social lulista. O objetivo foi atingido.
NO MDS, SUCESSO ABSOLUTO
Em sua passagem pelo MDS, o advogado e professor de Direito mineiro havia conseguido colocar em funcionamento a mais poderosa máquina de transferência de renda e de resgate social que se tem notícia em democracias complexas como a brasileira. Foi essa capacidade de alinhar posições divergentes e de fazer com que a sociedade se sintonize com as causas centrais do governo federal que o presidente Lula quis despertar ao convidar pessoalmente Patrus para a missão de virar a cara da campanha de reeleição em Minas Gerais.
O eleitorado mineiro é o segundo maior do país, com 16 milhões de cidadãs e cidadãos aptos a votar em outubro próximo. O estado também é o que detém o maior número de municípios no Brasil – 853 – e possui a maior malha de rodovias federais cruzando seu território. Lula quer a aliança do deputado e ex-prefeito com o MDB do ex-presidente da Assembleia Legislativa do estado, Gabriel Azevedo, tendo a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT) como candidata ao Senado e cabalando a presença nessa chapa ampla de Alexandre Kalil (PDT) como o outro candidato a uma das vagas de senador.
‘DEVOLVA MINAS AO SEU LUGAR’, PEDIU LULA
A determinação presidencial dada a Patrus foi a de que a campanha em Minas reviva jornadas políticas históricas do estado nos tempos da reconstrução democrática – como as de 1982, quando Tancredo Neves se elegeu governador, ou mesmo a de 2014, quando Fernando Pimentel (PT) foi eleito para o governo estadual sob intenso ataque oposicionista do PSDB de Aécio Neves. Pimentel se elegeu, mas foi vítima de embustes de um ramo da Operação Lava Jato desde o período de transição. Foi uma gestão tumultuada por falsas acusações que terminaram derrubadas nas instâncias judiciais. Contudo, ele não conseguiu a reeleição em 2018 e a onde de extrema-direita e da antipolítica elegeu Romeu Zema (Novo). “Você tem de devolver Minas ao lugar que sempre ocupou na política nacional”, disse Lula a Patrus ao instá-lo à candidatura. Agora, o presidente aguarda o sim do amigo. Ananias é filiado ao PT há 45 anos.
Desde 1989, ano da primeira eleição direta para a presidência da República depois da ditadura militar, o candidato à presidência que vence em Minas Gerais ganha a disputa nacional. Foi assim até em 2014, quando Aécio Neves (PSDB) havia deixado o governo mineiro para tentar barrar a reeleição de Dilma Rousseff (PT) e não conseguiu: perdeu entre os eleitores mineiros e isso o fez deixar de recuperar a defasagem de votos no Nordeste, que tinha votado maciçamente em Dilma. Em 2022, o mesmo fenômeno se deu com Jair Bolsonaro na disputa de reeleição com Lula. O extremista de direita, incumbente naquele pleito, obteve menos votos que o ex-presidente em Minas. Resultado: Lula vitorioso. Resgatar o eleitorado mineiro numa campanha apaixonante nas ruas, fazendo com que o povo resgate os programas sociais simbólicos petistas, foi a missão dada a Patrus Ananias. Se for bem sucedido, ele assegura a vitória em primeiro turno para o presidente da República em sua tentativa de reeleição para um quarto mandato.




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