(Uol/Folhapress) – Uma mulher morreu neste domingo (7) pouco tempo depois de denunciar a falta de atendimento em uma unidade de saúde de Ribeirão das Neves (MG).
Brenda Larissa Maia deu entrada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Acrízio Menezes, em Justinópolis, na tarde de sábado. A mulher, que era cardiopata e tinha fibromialgia, relatava fortes dores no peito e na região das costas. Além disso, ela estaria com hérnias de disco e pedras no rim.
A paciente teria sido atendida inicialmente pouco antes das 19h. Em entrevista à TV Record, a mãe dela, que a acompanhava, disse que um médico fez a avaliação, mas deixou o plantão em seguida. Família diz que Brenda, então, ficou na espera por outros profissionais.
Às 1h38, ela gravou um vídeo relatando a falta de médicos no local. Na gravação, publicada em suas redes sociais, ela mostrou quatro salas vazias. “Não temos médico”, dizia.
Uma técnica de enfermagem teria justificado a demora dizendo que um médico avaliava os exames dela e parou para jantar. “Eu continuo sentindo dor. Vim lutar pelos direitos dos que estão aqui, que não sou só eu. A UPA está literalmente com todas as salas vazias, porque tem médico de descanso”, falou no vídeo.
Na publicação, Brenda também marcou algumas autoridades pedindo por intervenções. Ela cobrou os vereadores Marcelo de Jesus (PSD), Marcela Menezes Costa (PT) e Isabella Guimarães Capuchinho (MDB), além do vice-prefeito Vanderlei Delei (Republicanos) e a secretária municipal de saúde Marla Guimarães Neves.
Momentos depois, a paciente morreu na unidade. A Secretaria Municipal de saúde informou, em nota, que ela teve uma parada cardiorrespiratória. Equipe tentou reanimá-la, mas sem sucesso.
Prefeitura de Ribeirão das Neves alegou que a unidade contava com quadro clínico completo em atuação. Além disso, disse que a paciente recebeu “assistência da equipe de saúde, realizou exames e permaneceu em observação”.
O corpo dela foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Belo Horizonte, que investigará a causa da morte. A Polícia Civil disse que instaurou um inquérito e aguarda a conclusão de laudos periciais para determinar as circunstâncias em que ela morreu.
O deputado Federal Nikolas Ferreira (PL), que é de Minas Gerais, repudiou o episódio. “Que vergonha um prefeito abandonar a saúde de uma cidade dessa forma. Vergonha”, escreveu nas redes sociais, comentando a situação.



