Ministro diz que governo reforçou prevenção a incêndios com possibilidade de Super El Niño

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Por Laura Scofield

(Folhapress) – O Ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Ribeiro Capobianco, afirmou nesta sexta-feira (5) que o governo reforçou o monitoramento e colocou em campo o maior contigente de brigadistas da história em razão da previsão de um “Super El Niño”.

“Aumentamos o número de aeronaves e de equipamentos de prevenção e combate e apoiamos em mais de meio bilhão de reais os corpos de bombeiros dos estados onde há mais incêndios florestais”, afirmou Capobianco em pronunciamento em rede nacional em razão do Dia do Meio Ambiente.
O El Niño é um fenômeno climático, caracterizado pelo aquecimento intenso nas águas do Pacífico Equatorial, perto do Peru.

Ele leva ao aumento de temperaturas e regimes de chuva irregulares. A depender do local, podem ocorrer secas extremas, o que aumenta o risco de incêndios, ou chuvas intensas. O último episódio de El Niño ocorreu em 2023 e 2024, os dois anos mais quentes já registrados.

Conforme mostrou a Folha de S.Paulo, o governo já vinha preparando ações para mitigar seus impactos e evitar que incêndios florestais se espalhem pelo país durante a seca, o que pode exigir a abertura de crédito extraordinário.

Capobianco assumiu o cargo no início de abril, quando a ex-ministra Marina Silva deixou o governo para se candidatar nas eleições deste ano. Antes, ele era o secretário-executivo da pasta.

O ministro também abordou a queda no desmatamento. O pronunciamento ocorre pouco mais de uma semana após a divulgação de dados positivos sobre o tema para o governo Lula, que teve o desmatamento como bandeira de campanha em 2022.

Ministro João Paulo Ribeiro Capobianco

“Nos últimos três anos, o desmatamento na Amazônia caiu pela metade; no Cerrado a redução foi de 32%, e no Pantanal, 65%. Ao proteger nossos biomas, salvamos a biodiversidade e evitamos lançar na atmosfera milhões de toneladas de gases de efeito estufa”, disse o ministro.

De acordo com a rede de monitoramento MapBiomas, o desmatamento em 2025 foi o menor desde 2019, primeiro ano da presidência de Jair Bolsonaro (PL). O registro ficou abaixo da barreira de 1 milhão de hectares de vegetação perdida pela primeira vez desde aquele ano.

Em 2025, foram desmatados 984.794 hectares no país, valor que é 20,6% menor do que o observado no ano anterior. A redução do desmatamento aconteceu em todos os biomas do país, incluindo a Amazônia, onde houve queda de 23,5% em relação a 2024.

Ainda assim, o volume equivale a cinco árvores derrubadas por segundo na floresta tropical brasileira.
O ministro afirmou ainda que a gestão ampliou as áreas protegidas a equivalentes a cerca de 5 milhões de campos de futebol, “com a criação de mais de uma dezena de novas reservas ambientais e o reconhecimento de terras indígenas e de territórios quilombolas”.

Capobianco citou também a “retomada da cooperação internacional”. “Depois de quatro anos de exclusão, retomamos o Fundo Amazônia, que agora tem nove países financiadores.”

O fundo visa captar dinheiro para combate ao desmatamento, prevenção e regeneração do meio ambiente, mas havia sido paralisado para novos projetos por Jair Bolsonaro (PL).

De acordo com o ministro, as ações viabilizaram um volume de R$ 204 bilhões em recursos públicos e privados, nacionais e internacionais. Ele também destacou o investimento em recuperação de áreas degradadas e na restauração florestal. Disse que há 3,4 milhões de hectares recuperados.

“Esses resultados são fruto de um amplo trabalho de cooperação entre o governo do Brasil, os estados e municípios e a sociedade civil. Eles só foram possíveis porque voltamos a investir em ciência e em monitoramento e a fortalecer instituições importantíssimas como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, que foram alvo de tentativas de desmonte em anos anteriores”, afirmou.

Apesar disso, o governo é criticado pelo apoio a obras como a exploração de petróleo na Foz do Rio Amazonas em razão dos impactos ambientais.

No início do ano, manifestações indígenas também levaram a gestão a recuar em projeto de privatizar a gestão de hidrovias nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins.





ICL Notícias

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