Lula vai ao G7 na França com cobranças aos países ricos

0
6


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá levar à cúpula do G7 um recado duro aos países ricos: o protecionismo é uma ameaça e o corte de ajuda ao desenvolvimento coloca em risco milhões de vidas pelo mundo.

O encontro ocorre entre os dias 15 e 17, em Evian, na França. Lula é um dos poucos líderes dos países em desenvolvimento convidado à reunião organizada por Emmanuel Macron. Donald Trump, presidente dos EUA, também já confirmou presença.

Na agenda oficial do encontro, Macron pediu que os governos debatessem os riscos de distorções macroeconômicas globais. O tema vai na linha da atuação do G7, o grupo de países desenvolvimentos criado após a crise do petróleo, em 1974.

Na avaliação do Brasil, uma dessas distorções que precisa ser debatida é a questão das barreiras comerciais e do unilateralismo na área comercial. Na semana passada, o governo Trump voltou a orquestrar uma nova ofensiva contra a importação de dezenas de países. Assim como ocorreu em 2025, o Brasil voltou a ser um dos mais afetados.

Se não bastasse, o governo brasileiro voltou a ser alvo de medidas protecionistas por parte da União Europeia. Semanas depois de ver a entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e UE, Bruxelas aplicou barreiras contra a carne brasileira, com argumentos sanitários.

Na avaliação do Brasil, esses episódios são reveladores da crise do multilateralismo e, em muitos casos, da suspensão de regras comerciais que, por décadas, ordenaram como cada país deve tratar o fluxo de bens pelo mundo.

A postura do governo Lula é de que, se o G7 quer avaliar os fatores que criam turbulência no mercado internacional, um dos principais é a fragilidade de regras. Para empresas e governos economias emergentes, esse é um elemento de incerteza.

Outro fator que preocupa o governo brasileiro é o profundo corte de ajuda dos países ricos ao desenvolvimento. Nos últimos meses, governos como o da Alemanha, Japão, EUA e outros passaram a anunciar uma retomada do processo de rearmamento, com orçamentos inéditos.

O problema, na visão do Brasil, é de que isso significará uma redução do volume de dinheiro que esses mesmos países destinam para programas sociais e ambientais pelo mundo.

Na COP30, em Belém, Lula comemorou a criação de um fundo para a preservação das florestas pelo mundo. Naquele momento, em 2025, a iniciativa coletou US$ 5 bilhões. Para observadores, esse volume é irrisório perto dos US$ 2,8 trilhões que o mundo gastou com armas, no ano passado.

Para o governo brasileiro, o corte de ajuda dos países do G7 é muito negativa. O alerta é que não haverá como lidar com o clima ou com a fome se essa tendência for mantida.

Cortes inéditos

Já no ano passado, a entidade Oxfam alertou que, pelo desenho dos orçamentos dos países ricos, a previsão era de que os membros do G7 iriam promover um corte sem precedentes ao mundo.

O bloco, que em conjunto responde por cerca de três quartos de toda a ajuda oficial ao desenvolvimento, deverá reduzir seus gastos com ajuda em 28% em 2026, em comparação com os níveis de 2024.

Este seria o maior corte na ajuda desde a criação do G7, nos anos 70, e a maior redução desde que esses programas começaram a ser criados nos anos 60.

Para a Oxfam, 2026 marcará o terceiro ano consecutivo de declínio nos gastos com ajuda externa do G7 – uma tendência não vista desde a década de 1990.

Se esses cortes forem adiante, os níveis de ajuda do G7 em 2026 cairão US$ 44 bilhões, para apenas US$ 112 bilhões. Os cortes estão sendo impulsionados principalmente pelos EUA (redução de US$ 33 bilhões), Alemanha (redução de US$ 3,5 bilhões), Reino Unido (redução de US$ 5 bilhões) e França (redução de US$ 3 bilhões).





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui