Lula busca ‘redução de danos’ com Trump para blindar eleição

0
10


O governo Lula irá trabalhar para “administrar as diferenças” com o presidente Donald Trump até as eleições de outubro, com o objetivo de reduzir o espaço para a ingerência dos EUA na votação no país e uma redução de danos. A estratégia montada pelo Palácio do Planalto é a de oferecer a redução de tarifas para algum setor que os EUA tenham interesse e, assim, conseguir minimizar o tarifaço que poderá ser aplicado contra o Brasil.

A ideia é de que, com alguma oferta, Trump possa “‘cantar vitória” e, assim, encerrar a crise comercial.

Mas, entre os negociadores, a percepção é de que a negociação dificilmente chegará a um acordo, tendo em vista a rigidez da posição dos EUA. Nas últimas semanas, duas reuniões foram realizadas, sem grandes avanços. Nessa semana, enquanto Lula e Trump estavam em Evian, técnicos de ambos os lados também continuaram os trabalhos.

O Brasil já avisou que não irá oferecer nem o Pix e nem um questionamento da soberania nacional. Os negociadores pediram que os americanos indiquem quais áreas gostaria de obter maior acesso ao mercado brasileiro, sempre que isso não represente uma ameaça ao país. Mas, até agora, a Casa Branca não apresentou o que deseja.

A avaliação do governo Lula é de que a Casa Branca escolheu o caminho eleitoral para tentar influenciar a direção política do Brasil. O país é estratégico para a operação de Trump de reconquistar o controle da América Latina e enquadrar o Brasil passou a ser uma prioridade. Nesse sentido, ter um governo “dócil” é estratégico.

A intensificação do contato de Lula com Trump, inclusive a viagem para Washington, também serviu para que houvesse uma tentativa de reduzir a influência da ala mais extremista do governo americano.

Nova Magnitisky e Eduardo Bolsonaro em Washington

Mas, em Brasília, a percepção é de que os riscos continuam existindo. Isso ficou provado pela fala púbica de Trump em Evian, questionando o sistema eleitoral brasileiro. O governo também acompanha com atenção mais uma viagem de Eduardo Bolsonaro para Washington. Depois de ser condenado pelo STF, ele busca a aplicação da Lei Magnitisky contra ministros brasileiros.

Para o Brasil, existe um “descompasso estrutural” na relação entre os dois países. Mas isso seria mitigado pela relação entre os dois líderes. Não se espera, porém, qualquer convergência conceitual e que, a partir de agora, só resta “administrar a diferença”.

Trump mostrou simpatia as posições de Lula no G7

Se na coletiva de imprensa no G7 o presidente dos EUA, Donald Trump, criticou abertamente a eleição no Brasil, o americano adotou uma postura radicalmente diferente às portas fechadas. Trump esteve ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em três reuniões nesta semana, além de manter dois contatos protocolares nos bastidores.

Em nenhum deles houve qualquer tipo de hostilidade ou críticas ao Brasil. O governo considerou que, de fato, Trump foi muito correto com o país e chegou a fazer uma referência positiva sobre o Brasil. Sobre outros países, o americano fez duras críticas.

Num dos debates sobre a China, chamou a atenção dos diplomatas brasileiros o fato de Lula e Trump não terem discordado da relação com Pequim. Na agenda, o G7 buscava formas de pressionar economicamente os chineses e adotar um documento que criticasse a super-produção no país asiático.

Lula, ao tomar a palavra, questionou a posição do G7 e insistiu que existia um “problema de diagnóstico”. Na conversa privada, o brasileiro alertou que onde os países ricos viam uma ameaça, os emergentes viam uma oportunidade.

Lula alertou que, nos países em desenvolvimento, quem faz investimentos hoje é a China. “Faz muito tempo que vocês abandonaram”, disse o brasileiro aos demais líderes. Lula constatou que, quando o Brasil faz licitações, o G7 “não aparece” e que apenas os chineses se apresentam.

O governo do Quênia foi na mesma direção, indicando que é “melhor algum parceiro que nenhum parceiro”.

A surpresa foi quando Trump tomou a palavra. No lugar de criticar a China, Trump elogiou Xi e explicou que, no lugar de ficar se queixando, ele adotou tarifas. Isso, na avaliação, teria funcionado em restabelecer uma nova relação entre Pequim e Washington.

Trump sugeriu que o restante do G7 faça o mesmo contra a China, e deixem de se queixar. O americano também alertou que, enquanto os países ricos questionam a desvalorização do yuan, se esquecem de que a moeda japonesa também é desvalorizada.





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui