Irmã de ‘Sicário’ relatou ameaças com fuzis e culpou Vorcaro pela morte de operador

0
7


Por Cleber Lourenço

As mensagens trocadas por Joana Machado de Moraes Mourão, irmã de Felipe Mourão, conhecido nas investigações da Operação Compliance Zero como “Sicário”, revelam um cenário de medo, ressentimento, dificuldades financeiras e ameaças que passou a ocupar espaço relevante nas apurações da Polícia Federal.

Em um capítulo específico dedicado às ameaças relatadas por familiares de Felipe Mourão, os investigadores registram acusações feitas por Joana contra integrantes da família Vorcaro, relatos de ameaças de morte com vídeos de homens armados com fuzis e a afirmação de que Henrique Vorcaro estaria “apavorado” diante das informações que ela dizia possuir após acessar arquivos armazenados na conta iCloud utilizada pelo irmão.

Os relatos surgem meses após a morte de Felipe Mourão, apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores da estrutura investigada na Operação Compliance Zero.

Segundo documentos da investigação, a irmã do operador passou a manifestar crescente revolta contra a família Vorcaro, que ela responsabilizava pela situação vivida por seus familiares após a morte do irmão.

“Tiraram a vida do meu irmão”

A Polícia Federal registra que Joana associava diretamente os Vorcaro à tragédia que atingiu sua família.

Segundo o relatório, ela afirmava que Henrique e Daniel Vorcaro haviam tirado dela “a vida do irmão” e “tudo que ela tinha”.

Os investigadores relatam que a irmã de Felipe Mourão dizia não compreender a postura adotada pela família do banqueiro após a morte do operador.

Em mensagens reproduzidas pela PF, Joana afirma que os Vorcaro continuavam “vivendo como reis”, enquanto ela e a mãe enfrentavam uma realidade completamente diferente.

Segundo o documento, ela sustentava que, apesar de Felipe Mourão ter sido “leal a vida inteira”, não houve qualquer consideração com seus familiares.

A investigação registra que o sentimento de abandono aparece de forma recorrente nas conversas analisadas.

Vídeos com fuzis e ameaças de morte

O trecho mais grave do relatório envolve as ameaças narradas por Joana.

Segundo a Polícia Federal, ela relatou que tanto ela quanto sua mãe estariam sofrendo ameaças após a morte de Felipe Mourão.

O documento registra:

“JOANA conta que estariam sofrendo ameaças de serem presas, de sofrerem golpes e estariam recebendo ameaças de morte por meio de vídeos com fuzil.”

A investigação não atribui formalmente a autoria das ameaças a qualquer investigado nem detalha quem teria enviado os vídeos mencionados por Joana.

Ainda assim, os relatos receberam destaque específico dentro do relatório policial.

Mais adiante, os investigadores voltam ao tema ao registrar que Joana afirmou ter recebido ameaças acompanhadas de imagens de fuzis.

Segundo a Polícia Federal:

“JOANA afirmou ter material suficiente para incriminá-lo e que recebeu ameaças com fotos de fuzis.”

Na avaliação dos investigadores, o conteúdo merece aprofundamento no curso das investigações.

“A dor e a ausência dele são insuportáveis”

Os documentos também revelam o impacto emocional provocado pela morte de Felipe Mourão.

Em uma das mensagens reproduzidas pela Polícia Federal, Joana descreve um quadro de sofrimento intenso.

“A dor e a ausência dele são insuportáveis.”

Na sequência, relata consequências físicas e psicológicas:

“Não como. Estou pesando 45 kg.”

“Não durmo.”

“Só choro.”

“Conta negativa, sem ter como pagar as contas.”

“Correndo o risco de perder a minha casa.”

“Sem perspectiva de nada.”

Os relatos aparecem em meio às discussões sobre dificuldades financeiras enfrentadas pela família após a morte de Felipe Mourão.

Segundo a investigação, as mensagens ajudam a explicar o agravamento do conflito entre Joana e pessoas ligadas aos Vorcaro ao longo de 2026.

O iCloud de Felipe Mourão

Um dos pontos centrais da investigação envolve o acesso de Joana ao conteúdo armazenado na conta iCloud utilizada pelo irmão.

Em outro trecho dos relatórios da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal registra que interlocutores próximos relataram preocupação após Joana acessar os arquivos deixados por Felipe Mourão.

Uma das mensagens reproduzidas pelos investigadores afirma:

“Ela passou a noite em claro abrindo o iCloud dele e aí viu coisa demais aí.”

A partir desse momento, a irmã do operador passa a aparecer com frequência nas conversas monitoradas pela investigação.

Segundo a PF, Joana passou a mencionar documentos, arquivos e informações que dizia possuir em razão do acesso ao material armazenado pelo irmão.

Os investigadores registram ainda que ela afirmou ter discutido diretamente com Henrique Vorcaro.

Segundo Joana, o pai de Daniel Vorcaro estaria “apavorado”.

A razão, segundo ela, seria o conteúdo das informações encontradas nos arquivos de Felipe Mourão.

“Tenho material para acabar com a família inteira”

As mensagens mostram que, paralelamente aos relatos de sofrimento e ameaças, Joana passou a pressionar integrantes da família Vorcaro.

Em uma conversa reproduzida pela Polícia Federal, ela reclama da falta de retorno de Henrique Vorcaro.

“HV não se manifesta com nada $.”

Pouco depois, faz uma ameaça que chamou a atenção dos investigadores.

“Acabo com a delação do filho, do cunhado e ainda jogo ele atrás das grades também.”

Na sequência, acrescenta:

“Tenho material para acabar com a família inteira.”

Segundo a Polícia Federal, as declarações foram feitas no contexto das informações que Joana afirmava possuir após acessar os arquivos armazenados por Felipe Mourão.

“Família maldita”

O tom das mensagens se torna ainda mais agressivo após novas fases da Operação Compliance Zero atingirem pessoas ligadas aos Vorcaro.

Em uma das conversas analisadas pela investigação, Joana escreve:

“Já foi o filho, o genro, hoje o sobrinho. No que depender de mim HV será o próximo.”

Na sequência, ameaça tornar públicas as informações que afirma possuir.

“Domingo já coloco tudo no Fantástico e no Cabrini dessa família maldita!!!”

Para os investigadores, as mensagens demonstram que o conflito entre a família de Felipe Mourão e integrantes do grupo investigado ultrapassava disputas financeiras e envolvia informações que Joana acreditava serem capazes de comprometer pessoas próximas a Daniel Vorcaro.

Ao concluir o tópico dedicado aos relatos da irmã de Felipe Mourão, a Polícia Federal destaca que as informações apresentadas por Joana não poderiam ser ignoradas.

Os investigadores registram que ela afirmou possuir material suficiente para incriminar Henrique Vorcaro e relatou ameaças acompanhadas de imagens de fuzis.

O relatório conclui que as circunstâncias narradas “merecem maior aprofundamento no decorrer das investigações”.





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui