Influenciadora bolsonarista defende fim do voto feminino

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A influenciadora bolsonarista Pietra Bertolazzi declarou, em um quadro de perguntas e respostas publicado no YouTube, que é contra o direito ao voto feminino. A fala ocorreu durante uma dinâmica de respostas rápidas, na qual ela também disse ser contra o aborto e a distribuição gratuita de absorventes, e a favor da igualdade salarial e das privatizações.

No vídeo, questionada se considera o feminismo responsável por confundir a independência feminina, Bertolazzi respondeu que sim e afirmou que mulheres hoje confundem libertinagem e sucesso financeiro com liberdade. Ao ser perguntada diretamente sobre o voto feminino, foi taxativa: contra. Na sequência, deixou uma mensagem às mulheres, pedindo que façam o oposto do que, segundo ela, o feminismo prega.

Contradição do discurso

No ICL Notícias Primeira Edição desta sexta-feira (3), o jornalista Cesar Calejo destacou que a fala tem um forte caráter contraditório. “Se ela tem acesso ao microfone, se ela tem ressonância, se ela tem projeção pública para expressar suas ideias de maneira livre, como ela faz, isso se deve a uma luta secular de mulheres que vieram antes dela”, reforçou.

Na avaliação do jornalista, caso o modelo social que ela defende estivesse em vigor, ela mesma não teria espaço para se expressar publicamente e estaria restrita a papéis domésticos, como o padrão “bela, recatada e do lar”.

A defesa do fim do voto feminino, mesmo vinda de uma mulher, expõe um fenômeno já discutido por teóricas feministas: o de setores oprimidos que reproduzem discursos que sustentam sua própria opressão. Declarações como a de Bertolazzi, embora contraditórias, seguem circulando e ganhando audiência dentro de bolhas políticas específicas.

Esse tipo de resposta é muito mais marcado pelo negacionismo do que, de fato, por um debate de ideias. O aspecto central é que discursos como o de Bertolazzi fazem parte de um método repetido por influenciadores de extrema direita no Brasil e em outros países, sem sustentação argumentativa. Calejon destaca que esse discurso é usado como estratégia de visibilidade, funcionando como plataforma para ganhar espaço político e engajamento nas redes.

Veja a análise de Calejon:





ICL Notícias

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