O governo federal investiu aproximadamente R$ 565 bilhões em ações de segurança alimentar e nutricional ao longo de 2025, primeiro ano de vigência do III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (III Plansan). O montante foi destinado a iniciativas de proteção social, transferência de renda, saúde, agricultura familiar, abastecimento alimentar e desenvolvimento territorial. O balanço foi apresentado na segunda-feira (8), em Brasília, durante o Encontro Nacional da 6ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CNSAN) +2 anos.
Dados do primeiro ciclo de monitoramento do plano indicam que 73% das 410 entregas previstas para o período já apresentam algum nível de execução.
Segundo a secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Valéria Burity, os resultados refletem a retomada de uma agenda considerada estratégica para o enfrentamento da fome no país.
“Foi a partir desse reconhecimento das conquistas, mas também dos desafios, que elaboramos o III Plano Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, que marca uma retomada da agenda”, afirmou.
A secretária destacou que o país permaneceu quatro anos sem um plano nacional na área, período em que houve agravamento dos índices de fome e pobreza.
Fortalecimento do Sisan
Entre os eixos monitorados, o fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) registrou o maior percentual de execução, alcançando 93% das metas previstas para o primeiro ano. As ações voltadas ao combate à fome atingiram 68,4% de implementação, enquanto as iniciativas relacionadas ao acesso à terra, água e território chegaram a 72,8%.
De acordo com o governo, os números demonstram avanços na articulação entre diferentes políticas públicas voltadas à garantia do direito à alimentação adequada e saudável.
O III Plansan é o principal instrumento de planejamento da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e reúne oito anúncios, 19 estratégias intersetoriais e 219 iniciativas. O plano permanecerá em vigor até 2027.
Trajetória de redução da fome
O monitoramento também destaca resultados alcançados desde a retomada das políticas de segurança alimentar em 2023. Entre eles está a retirada do Brasil do Mapa da Fome e a redução dos níveis de insegurança alimentar grave.
Segundo os dados apresentados, cerca de 26,5 milhões de pessoas deixaram a situação de fome entre 2023 e 2024. O país registrou ainda o menor índice histórico de insegurança alimentar grave, atingindo 3,2% dos domicílios brasileiros.
A melhora dos indicadores também foi observada entre crianças e adolescentes, população preta e parda, moradores de áreas rurais e habitantes das regiões Norte e Nordeste. No mesmo período, a segurança alimentar passou a alcançar 75,8% dos domicílios do país.
Governança e articulação federativa
Outro destaque do balanço é a reconstrução da governança da política de segurança alimentar. Entre os avanços apontados estão o fortalecimento da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), a implementação do Protocolo Brasil Sem Fome e a ampliação da adesão municipal ao Sisan.
Atualmente, mais de 2.297 municípios integram formalmente o sistema, ampliando a capacidade de coordenação entre União, estados e municípios na execução das políticas públicas.
Apesar dos resultados apresentados, o governo reconhece desafios para os próximos anos. Entre eles estão a consolidação da governança federativa e a ampliação das ações direcionadas às populações e regiões mais vulneráveis à insegurança alimentar e nutricional.
Prioridades para os próximos anos
Realizado dois anos após a última Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o Encontro +2 reúne representantes do poder público e da sociedade civil para avaliar a implementação das políticas do setor e definir prioridades para os próximos anos.
Organizado pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), o evento tem como foco acompanhar a execução do III Plansan, analisar os avanços registrados desde 2023 e discutir estratégias para fortalecer o Sisan e garantir o Direito Humano à Alimentação Adequada.
A expectativa é que as discussões contribuam para o aperfeiçoamento das políticas públicas e para a ampliação dos resultados obtidos no combate à fome e à insegurança alimentar até o fim da vigência do plano, em 2027.




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