Fórum discute direito aos dados em São Paulo

0
1


A concentração de poder das big techs e o modelo econômico, cada vez mais baseado na extração e monetização de dados sensíveis, na apropriação de conteúdos, na disputa pela atenção e na circulação de desinformação, estão no centro dos debates que vêm sendo promovidos por universidades em todo o Brasil, dentro e fora dos muros acadêmicos.

Um dos grupos de pesquisa mais críticos do país nesse campo, dedicado a analisar os impactos da tecnologia no trabalho e na comunicação, realiza, em junho, um fórum que reúne especialistas de diferentes áreas para discutir caminhos capazes de preservar a integridade da informação e fortalecer a soberania digital.

O encontro é organizado pelo Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (CPCT/ECA-USP). O XI Fórum Comunicação e Trabalho será na quinta-feira, 25 de junho, das 14h às 19h30.

Nesta 11ª edição, o debate gira em torno do direito aos dados em um mundo cada vez mais mediado por algoritmos. A programação inclui duas mesas que abordam temas como infraestrutura digital, soberania e os efeitos dessas transformações no trabalho e no desenvolvimento do país. Em 2025, o Fórum abordou questões como a regulação das plataformas digitais e o uso de inteligência artificial.

Para a professora Roseli Figaro, coordenadora do CPCT, a discussão deste ano é especialmente urgente: “Soberania digital e informacional, trabalho e desenvolvimento são aspectos que ajudam a definir o futuro do país, as oportunidades para os trabalhadores e os caminhos da ciência”, afirma.

As atividades serão realizadas na Sala da Congregação da ECA/USP, com abertura institucional e dois painéis de debate. O evento é gratuito e aberto ao público. Quem quiser participar presencialmente deve se inscrever previamente, por meio do QR Code na imagem ou pelo link de inscrição. Também haverá transmissão online, sem necessidade de cadastro. Nesse caso, o certificado de participação não será emitido.

A chave analítica do CPCT

Ao longo das últimas duas décadas, o CPCT vem se dedicando a entender, de forma crítica, como a comunicação reorganiza e transforma o mundo do trabalho. Hoje, o grupo se consolidou como um polo que reúne pesquisadores do Brasil e do exterior, além de jornalistas, ativistas, professores, profissionais das áreas de comunicação e estudantes.

Desde 2022, vem se debruçando sobre a crescente dependência do jornalismo em relação às plataformas digitais, sobretudo sobre os arranjos econômicos independentes e alternativos à imprensa tradicional, que dependem de ferramentas dessas plataformas para armazenar seus dados.

O projeto, apoiado pela Fapesp, avalia a datificação dos comunicadores e versa sobre como essas empresas capturam o chamado “trabalho vivo”, convertendo interações e conteúdos em dados e lucro, muitas vezes em condições assimétricas para os países do Sul Global.

Roseli Figaro é referência nacional nos estudos sobre a precarização do trabalho e tem atuado ativamente no diálogo com pesquisadores, o poder público, o Supremo Tribunal Federal, movimentos da sociedade civil e entidades sindicais. Para ela, o impacto das plataformas vai muito além dos usuários comuns e dos comunicadores: atinge também profissionais como psicólogos, médicos e professores, especialmente os que atuam de forma autônoma.

Os efeitos são intensos entre jornalistas, publicitários e designers. “Precisamos lembrar que, antes, o usuário acessava a internet para pesquisar um tema ou uma notícia e era direcionado aos conteúdos dos veículos por meio de links. Hoje, essas informações são processadas e sintetizadas por sistemas de inteligência artificial que produzem textos sintéticos. É uma forma de capturar a nossa propriedade intelectual em uma relação claramente desigual”, avalia.





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui