Fim da escala 6×1: Relatório deve ser apresentado na 2ª

0
25


O governo federal reconhece que deverá negociar com o Congresso Nacional para avançar na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1 no trabalho e estabelece dois dias de descanso semanal para todos os trabalhadores. A medida passou a integrar a estratégia política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um contexto em que o tema ganha centralidade na agenda trabalhista do Executivo. Com isso, o relatório da proposta deve ser apresentado na próxima segunda-feira (25).

Segundo interlocutores do Palácio do Planalto, o governo avalia a criação de uma regra de transição para reduzir a jornada atual de 44 para 40 horas semanais. Na prática, a mudança consolidaria um modelo de cinco dias de trabalho e dois dias de descanso remunerado.

A proposta em análise prevê uma transição gradual, possivelmente de até três anos, com redução de duas horas no primeiro ano e uma hora nos dois anos seguintes. Embora o governo resistisse inicialmente à ideia de transição, há sinais de flexibilização diante das negociações em curso.

Compensação salarial e efeitos trabalhistas

Para evitar redução nominal de salários, a hora retirada da jornada seria incorporada à remuneração, mas sem repercussão em outras verbas trabalhistas, como férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Essa alternativa é defendida pelo relator da proposta, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), e aparece como uma das possíveis concessões em discussão no Executivo.

Um dos principais pontos de resistência do governo segue sendo a possibilidade de compensações financeiras ou fiscais às empresas que terão de se adaptar às novas regras. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou recentemente ser “radicalmente contra” qualquer tipo de compensação ao setor produtivo.

Relatório deve ser apresentado na 2ª feira

O relatório da PEC deve ser apresentado pelo deputado Leo Prates na próxima segunda-feira, embora ainda dependa de negociações que devem se intensificar ao longo do fim de semana. As tratativas envolvem diretamente o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), além de integrantes da equipe econômica e da área trabalhista.

A decisão final sobre o texto será tomada em articulação entre o presidente Lula e o comando da Câmara, após consultas aos ministros Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), Durigan e à ministra da Casa Civil, Miriam Belchior.

Possíveis exceções e resistência técnica

O relator também defende a exclusão de trabalhadores com renda superior a R$ 16 mil mensais do novo limite de jornada, sob o argumento de enquadrar contratos hoje estruturados como pessoa jurídica dentro da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A proposta, no entanto, não conta com apoio do Ministério do Trabalho e Emprego, que questiona sua eficácia para reduzir a chamada pejotização.

O governo pretende preservar a escala 12×36, comum em setores como saúde e serviços essenciais, permitindo que regimes diferenciados sejam definidos por meio de acordos e convenções coletivas.

Paralelamente, tramita no Congresso um projeto de teor semelhante enviado pelo Executivo, mas, nos bastidores, a avaliação é de que a proposta perdeu prioridade diante do avanço da PEC, que hoje concentra as principais negociações políticas.





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui