O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa básica de juros do país no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (29) e já era amplamente esperado pelo mercado financeiro.
Esta é a terceira reunião consecutiva em que a autoridade monetária opta por não alterar os juros. A decisão também marca o fim de um ciclo: é a última reunião sob o comando de Jerome Powell, que deixa o cargo em maio após oito anos à frente da instituição.
O principal fator de atenção para o banco central americano segue sendo o cenário internacional. A guerra no Oriente Médio, somada à disparada dos preços do petróleo, tem pressionado as expectativas de inflação nos Estados Unidos.
O barril do tipo Brent chegou a se aproximar de US$ 120 recentemente, acumulando forte alta desde o início do conflito. Esse movimento impacta diretamente os custos de energia e transporte, com reflexos em toda a economia.
No comunicado oficial, o Fomc destacou que a inflação segue elevada, em parte devido ao aumento recente nos preços globais de energia. O texto também ressalta que os desdobramentos no Oriente Médio aumentam o nível de incerteza sobre o futuro econômico.
Economia resiliente, mas sob pressão
Apesar dos riscos, o Fed avalia que a economia americana continua apresentando crescimento sólido. O mercado de trabalho, por sua vez, segue relativamente estável, com poucas mudanças na taxa de desemprego.
Ainda assim, o avanço dos preços preocupa. Dados recentes mostram aceleração da inflação, influenciada principalmente pelos custos de energia, alimentos e moradia. O banco central reafirmou seu compromisso de levar a inflação de volta à meta de 2%.
Um dos principais pontos de tensão é o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito. O bloqueio e os ataques a navios na região têm afetado diretamente o abastecimento e impulsionado os preços da commodity.
Esse cenário aumenta a pressão sobre governos e bancos centrais, já que o encarecimento do petróleo tende a elevar o preço dos combustíveis e gerar efeito cascata sobre outros setores da economia.
Mudança no comando do Fed
A decisão desta quarta também marca a despedida de Jerome Powell da presidência do Fed. A expectativa é que Kevin Warsh assuma o comando nas próximas reuniões, após aprovação no Senado.
Mesmo deixando a presidência, Powell ainda pode permanecer na diretoria da instituição até 2028, embora sua decisão final ainda não tenha sido anunciada.
Reflexos no Brasil e no câmbio
A política de juros nos Estados Unidos tem impacto direto sobre economias emergentes, como o Brasil. Com taxas ainda elevadas por lá, os títulos públicos americanos continuam atraindo investidores globais, fortalecendo o dólar.
Esse movimento tende a:
- reduzir o fluxo de capital estrangeiro para o Brasil
- pressionar o câmbio
- dificultar a queda dos juros internos
Como consequência, o Banco Central brasileiro pode ser levado a manter a taxa Selic em níveis elevados por mais tempo.



