Entenda por que a Bolsa brasileira se segurou e o dólar caiu após ‘tarifaço’ de Trump

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A B3, Bolsa brasileira, teve uma quinta-feira (3) de muitas oscilações, acompanhando as reações globais muito negativas dos mercados globais ao “tarifaço” anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (2). Contudo, ao fim do dia, o Ibovespa, principal indicador da B3, fechou com leve baixa de 0,04%, ou seja, próximo da estabilidade, aos 131.140,65 pontos. Na máxima do dia, chegou a bater nos 132 mil pontos.

Já o dólar à vista (USBRL) encerrou as negociações a R$ 5,6281, com recuo de 1,20% sobre o real — no menor nível em seis meses.

Enquanto isso, as bolsas de Nova York derreteram com os investidores reagindo com um mau humor danado ao plano de tarifas recíprocas de Trump, que impõe sobretaxas a dezenas de países, mas tendo como alvo principal a tríade formada pelos três principais parceiros comerciais dos EUA: China, México e Canadá.

O Dow Jones caiu 3,98%, aos 40.545,93 pontos; o S&P 500, -4,84%, aos 5.396,52 pontos; e o Nasdaq, -5,97%, aos 16.550,60 pontos.

Nesta manhã de sexta-feira (4), os mercados seguem em baixa e isso deve perdurar ainda por alguns dias, na visão de especialistas. O plano de Trump, na visão deles, pode ser um tiro no pé da população norte-americana, que vai pagar caro pelas consequências.

Sob o argumento de fortalecer a economia e a indústria nacional, a colheita dos Estados Unidos pode ser bem diferente. Especialistas já preveem recessão da economia norte-americana, com estagflação, ou seja, um cenário muito ruim que envolve estagnação da economia com inflação alta. Para o mundo, diante do peso da economia norte-americana, a expectativa é de elevação da inflação global.

Voltando à Bolsa brasileira, ontem, a despeito da queda das ações de dois grandes pesos-pesados do indicador – no caso, a Petrobras e a Vale, que acompanharam as quedas de suas respectivas commodities no exterior (petróleo e minério de ferro, respectivamente) -, a alta das negociações dos papéis dos bancos e de varejistas contribuíram para segurar o indicador.

Investimento estrangeiro na Bolsa brasileira

Diante das incertezas impostas pelas políticas que vêm sendo adotadas pelo governo Trump desde a posse dele, em 20 de janeiro, é comum que investidores busquem outros mercados, principalmente emergentes como o Brasil, para destinarem seus recursos.

Em março, a Bolsa brasileira registrou entrada líquida de investimento estrangeiro pelo quarto mês consecutivo. No mês passado, o saldo positivo foi de R$ 3,1 bilhões. No acumulado do ano (janeiro a março), houve a entrada de R$ 10,6 bilhões de capital internacional no Brasil.

No primeiro trimestre, o Ibovespa acumula alta de 8,29%, no melhor desempenho trimestral desde 2023.

Um dos atrativos do Brasil é a remuneração. A taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano, é um chamariz para o recurso estrangeiro.

Horizonte de incertezas

Em entrevista à CNN, André Fernandes, economista-chefe da Análise Econômica, avaliou que o momento é o mais incerto possível.

“É muito difícil cravar qual o futuro da economia, […] a gente ainda tem uma nuvem, um ponto de interrogação gigante [sobre a extensão dos danos da política comercial dos EUA]”, observou.

Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), disse, em entrevista ao ICL Notícias 1ª edição de ontem, que os principais parceiros comerciais dos EUA serão os mais afetados. São eles México, Canadá e China. Mas vê uma reação mais contundente da China.

“A China, de alguma forma, percebeu o cerco e a China vai reagir coletivamente – não vai agir sozinha. A China vai usar o veneno como remédio. Vai fazer uma ação multilateral”, pontuou.

De modo geral, os analistas acreditam que as tarifas maiores devem encarecer produtos que chegam aos EUA, subindo o preço de insumos para a produção de bens e serviços no país. É um cenário que reduz o lucro das empresas e piora a inflação.

Tarifas menores para o Brasil

Outro aspecto avaliado por analistas é que as taxas anunciadas para o Brasil, de 10%, foram as menores do tarifaço. A propósito, foram as mesmas destinadas à Argentina, governado pelo economista anarcocapitalista Javier Milei, um lambe-botas de Trump.

Para alguns analistas, o Brasil, cuja condução da crise imposta por Trump tem sido bastante elogiada, as tarifas podem abrir portas para exportadores brasileiros, que podem ganhar espaço com novos parceiros comerciais.

Essa visão foi compartilhada por Renoir Vieira, sócio da Duna Consultoria, à CNN: “Tem uma crise de confiança, o mercado passou a acreditar menos nos Estados Unidos. Governo Trump tem feito um trabalho […] de ‘desinternacionalizar’ os Estados Unidos. […] E aí há um selloff dos ativos americanos nos mercados globais”, disse. “A interpretação do mercado em relação as tarifas para o caso brasileiro é positiva. O Brasil saiu muito melhor do que a maior parte dos países relevantes, e isso direciona, a princípio, recursos para o Brasil. Pode ver no médio prazo empresas internacionais aumentando produção e investimento no Brasil para atender o mercado americano com preços mais competitivos”, completou.

E o dólar?

A queda do dólar na véspera é resultado do temor de que o “tarifaço” de Trump deve desacelerar a economia norte-americana.

Porém, especialistas acreditam que, diante da nuvem de incertezas da conjuntura atual, fica difícil fazer qualquer projeção futura para a moeda norte-americana.

O certo é que, se os indicadores continuarem apontando para uma possível recessão da economia norte-americana, a perspectiva é, sim, de um dólar cada vez mais fraco.

 





Fonte: ICL Notícias

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