Empresa de preso pela PF recebeu R$ 10,2 mi de prefeitura

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Por Cleber Lourenço

Documentos oficiais da Prefeitura de São Paulo obtidos pelo ICL Notícias mostram que a administração municipal já desembolsou R$ 10,2 milhões na compra de filtros capacitivos fornecidos pela Blink Brasil. A empresa tem como sócio-administrador Tales Mariano Carvalho da Silva, preso em março deste ano durante uma operação da Polícia Federal que apreendeu R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo.

Os dados constam em registros da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB), responsável pela contratação. Segundo a pasta, os recursos foram utilizados na instalação de 563 equipamentos em 130 escolas da rede municipal.

A contratação ocorreu por meio de pregão eletrônico — modalidade de licitação em que vence a proposta de menor preço — com a participação de cinco empresas. A Blink Brasil foi a vencedora do certame, de acordo com a secretaria.

O que são os filtros capacitivos

Os filtros capacitivos são equipamentos elétricos utilizados para melhorar a qualidade da energia fornecida a instalações, reduzindo oscilações, ruídos e perdas no sistema elétrico. Eles atuam na estabilização da tensão e podem contribuir para maior eficiência energética e proteção de equipamentos eletrônicos.

Segundo a prefeitura, os dispositivos instalados nas escolas têm como objetivo melhorar o desempenho da rede elétrica das unidades, garantindo maior estabilidade no fornecimento de energia para equipamentos pedagógicos e administrativos.

Como funciona a contratação

A compra dos equipamentos está vinculada à Ata de Registro de Preços nº 001/SIURB/25, cuja origem está nos documentos oficiais analisados pela reportagem. Esse tipo de instrumento permite que a administração pública registre preços e condições para futuras contratações, sem a obrigação de executar todo o valor imediatamente.

No caso da SIURB, a ata estabelece um valor máximo de R$ 109.059.960 e prevê a aquisição de até 6 mil filtros capacitivos automatizados (110/440V), com preço unitário de R$ 18.176,66.

Isso significa que o montante total registrado representa um teto de gastos possível ao longo da vigência da ata, e não um valor já pago. Até o momento, segundo a prefeitura, foram executados R$ 10,2 milhões — uma parcela do total previsto.

A ata permanece válida até 24 de julho de 2026 e pode ser utilizada conforme a necessidade da administração municipal durante esse período.

Ligação com investigação da PF

Registros societários e documentos da contratação apontam Tales Mariano Carvalho da Silva como sócio-administrador da Blink Brasil.

Ele foi preso em março deste ano durante uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema de lavagem de dinheiro. Segundo a PF, a ação teve como objetivo desarticular uma organização suspeita de movimentar recursos de origem ilícita por meio de empresas e operações financeiras simuladas.

Durante o cumprimento de mandados, agentes apreenderam R$ 2,7 milhões em dinheiro vivo, além de documentos e equipamentos eletrônicos que podem auxiliar nas investigações. A polícia apura se os valores têm origem em atividades ilegais e se foram utilizados mecanismos para ocultar ou dissimular sua procedência.

Diferença de preços

A análise de documentos públicos indica que o valor registrado na ata da SIURB é superior ao de outras contratações semelhantes.

Em um contrato do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba, por exemplo, a própria Blink Brasil registrou filtros capacitivos por R$ 14,8 mil a unidade.

Além disso, uma pesquisa de preços realizada em maio de 2025 aponta valor médio de R$ 15,2 mil para equipamentos com características semelhantes.

Na prática, isso significa que o preço unitário previsto na ata da prefeitura paulistana é cerca de 19% maior do que a média identificada nessa pesquisa.

Apesar da diferença, a reportagem não encontrou, até o momento, decisões de órgãos de controle ou auditorias que apontem irregularidades na formação de preços adotada pela administração municipal.

O que diz a prefeitura

Em nota, a SIURB afirmou que a contratação seguiu todos os trâmites legais e que os equipamentos estão em funcionamento, atendendo alunos e profissionais da rede municipal de ensino.

A secretaria reiterou que o processo ocorreu por meio de pregão eletrônico com participação de cinco empresas e que a Blink Brasil apresentou a proposta vencedora.

Segundo a pasta, não há qualquer impedimento legal para a contratação da empresa e todas as obrigações previstas vêm sendo cumpridas.

A administração municipal também destacou que os filtros possuem certificações e validações técnicas de instituições como Inmetro, Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Nevada e Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Por fim, a prefeitura informou que o contrato é acompanhado e fiscalizado durante toda a sua vigência.





ICL Notícias

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