Em novo ataque ao Fed, Trump escolhe Kevin Warsh para substituir Jerome Powell

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (30) a escolha de Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve (Fed), em substituição a Jerome Powell, cujo mandato termina em maio deste ano. A nomeação ainda depende de aprovação do Senado, mas marca um novo capítulo na tensão aberta entre o governo e o banco central estadunidense.

Desde 2025, Trump pressiona Powell por cortes agressivos nas taxas de juros, enquanto o presidente do Fed mantém a independência da instituição, priorizando o controle da inflação. O relacionamento entre os dois tem sido marcado por críticas públicas e acusações mútuas, culminando em episódios recentes como a abertura de uma investigação criminal do Departamento de Justiça (DOJ) contra Powell, que ele classificou como intimidação política.

Quem é Kevin Warsh

Kevin M. Warsh é economista e jurista estadunidense, com experiência consolidada em governo, academia e setor financeiro. Ele foi membro do Conselho de Governadores do Fed entre 2006 e 2011, incluindo o período da crise financeira global de 2008, e é reconhecido por sua atuação em política monetária e mercados globais.

Formado em políticas públicas pela Universidade de Stanford, Warsh também possui doutorado em Direito por Harvard, com especialização em regulação econômica. Iniciou a carreira no setor privado, no Morgan Stanley, e depois integrou o governo do presidente George W. Bush, ocupando cargos estratégicos na Casa Branca e atuando como conselheiro econômico do presidente.

Desde 2011, Warsh se divide entre a academia e o mercado financeiro, sendo pesquisador visitante no Instituto Hoover, professor na Stanford Business School e sócio-consultor da gestora Duquesne Family Office.

Também integra conselhos de grandes empresas, como UPS e Coupang, e participa de fóruns econômicos internacionais, incluindo o Grupo dos Trinta (G30).

Pressão por cortes de juros e tensão crescente

O embate entre Trump e Powell se intensificou ao longo de 2025. No primeiro semestre, o presidente criticou a manutenção das taxas, sugerindo que juros menores ajudariam a economia a enfrentar tarifas de importação. Em encontros na Casa Branca, Trump chamou Powell de “teimoso” e “burro”, enquanto o presidente do Fed reafirmava que decisões monetárias seriam baseadas em dados econômicos, e não em pressão política.

No segundo semestre, a escalada verbal se intensificou, com Trump chamando Powell de “incompetente” e acusando-o de prejudicar a economia. Em janeiro de 2026, a tensão atingiu um ponto crítico quando o DOJ abriu investigação criminal sobre suposta má gestão no Fed, acusação que Powell descreveu como tentativa de intimidação política.

Na quinta-feira (29), após o Fed manter as taxas entre 3,50% e 3,75%, Trump declarou que Powell estava “prejudicando o país e a segurança nacional” e anunciou, no dia seguinte, sua intenção de nomear um sucessor.

Impacto nos mercados e próximos passos

A indicação de Kevin Warsh provocou reação imediata nos mercados globais, com queda nas bolsas asiáticas e alta do dólar, diante da expectativa de uma política monetária mais alinhada às preferências de Trump. Analistas avaliam que Warsh, conhecido por sua experiência técnica e histórico em momentos de crise, poderia adotar uma postura mais flexível em relação à política de juros, embora ainda dependa do Senado para assumir o cargo.

A disputa entre governo e Fed destaca o dilema clássico de política monetária nos EUA: manter a independência do banco central versus atender a pressões políticas por estímulo econômico.

A escolha de Warsh pode representar um ponto de inflexão, mas também aumenta a atenção sobre a independência institucional do Fed em meio a um contexto político polarizado.





ICL Notícias

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