Dia do Rock: conheça quatro bandas atuais e engajadas contra o fascismo

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Por Rodrigo de Andrade*

Celebrado nesta segunda-feira (13), o Dia Mundial do Rock reacende o interesse por um dos gêneros musicais mais influentes do século XX. A data foi criada em referência ao festival beneficente Live Aid, realizado em 13 de julho de 1985, quando músicos defenderam que o evento passasse a marcar uma celebração internacional do rock.

Mais de quatro décadas depois, mesmo distante do protagonismo comercial, a cena alternativa continua sendo palco de bandas independentes e engajadas que, por meio da música, propõem reflexões sobre pautas progressistas e fazem críticas ao reacionarismo do século XXI.

Em meio às disputas ideológicas sobre o pertencimento do gênero musical, o rock permanece um espaço de expressão livre e pode servir como ferramenta de conscientização política. Nesse cenário, o ICL Notícias reúne quatro bandas contemporâneas que utilizam o rock para se posicionar contra o fascismo e outras formas de opressão.

King Gizzard & the Lizard Wizard – Photo by Jason Galea/Reprodução

King Gizzard & the Lizard Wizard

Fundada em 2010, em Melbourne, na Austrália, a King Gizzard & the Lizard Wizard é conhecida pela intensidade de suas apresentações ao vivo, pela irreverência de sua sonoridade e pela capacidade de transitar entre diferentes estilos. Ao longo da carreira, o grupo incorporou elementos do rock psicodélico, jazz, música microtonal inspirada em tradições do Oriente Médio, música eletrônica e até ritmos de origem folclórica.

Frequentemente associadas às narrativas fantásticas que permeiam seus álbuns, inspiradas pelo terror cósmico de H. P. Lovecraft e pela ficção científica, as composições da banda também carregam um forte viés político, embora esse aspecto nem sempre receba a mesma atenção.

No álbum Infest the Rats’ Nest (2019), por exemplo, faixas como “Planet B” utilizam uma narrativa distópica para discutir a crise climática e criticar a ideia de que a degradação ambiental poderia ser solucionada pela colonização de outros planetas, uma alternativa acessível apenas aos mais ricos. Em 2025, a banda também anunciou a retirada de seu catálogo do Spotify após criticar o CEO da plataforma, Daniel Ek, por investir em uma empresa ligada ao desenvolvimento de tecnologias militares.

Banda Francisco, El Hombre lança o disco RASGACABEZA (Foto: Rodrigo Gianesi/Reprodução)

Francisco, el Hombre

Formada em 2013, a Francisco, el Hombre nasceu da união entre músicos brasileiros e mexicanos e rapidamente se consolidou como um dos principais nomes da cena independente latino-americana. Misturando rock, música latina, folk, punk e ritmos populares do continente, a banda construiu uma identidade marcada pela energia de suas apresentações ao vivo e por letras que dialogam com temas sociais e políticos.

Canções como “Triste, Louca ou Má”, vencedora do Prêmio APCA de Música em 2017, tornaram-se símbolos da luta feminista ao questionar padrões impostos às mulheres. Em outros trabalhos, o grupo também se posicionou em defesa dos direitos humanos, da comunidade LGBTQIA+ e da integração entre os povos latino-americanos, consolidando-se como uma das principais vozes progressistas do rock produzido no Brasil.

Parquet Courts – Foto: Divulgação/Ben Rayner

Parquet Courts

Fundado em 2010, o Parquet Courts surgiu como uma das principais bandas da cena pós-punk e indie rock dos Estados Unidos. Com influências que vão do punk nova-iorquino ao rock alternativo dos anos 1990, o grupo se destacou por letras observadoras, bem-humoradas e críticas ao cotidiano das grandes cidades, aliando guitarras minimalistas a uma sonoridade marcada pela experimentação.

Ao longo da carreira, suas composições abordam temas como consumismo, desigualdade econômica, gentrificação, precarização do trabalho, crise ambiental e os efeitos do capitalismo na vida contemporânea.

No álbum Wide Awake! (2018), produzido por Danger Mouse, o Parquet Courts intensificou esse viés político. Faixas como “Total Football” e “Violence” refletem sobre organização coletiva, desigualdade social e violência estrutural, consolidando o grupo como uma das principais referências do rock alternativo engajado da última década.

Banda Black Pantera – (crédito: Divulgação/Marcos Hermes)

Black Pantera

Um dos principais nomes do metal contemporâneo brasileiro, o Black Pantera ganhou destaque ao reunir elementos do hardcore, crossover thrash, punk e heavy metal em uma das propostas mais politizadas do rock nacional. Formado pelos irmãos Charles e Chaene da Gama, ao lado do baterista Rodrigo “Pancho”, o trio transformou experiências pessoais e questões sociais em letras diretas e apresentações de grande intensidade.

Desde o início da carreira, o combate ao racismo constitui o principal eixo de sua obra. As músicas da banda abordam temas como violência policial, desigualdade social, discriminação racial, identidade negra e direitos humanos, aproximando o peso do metal da tradição de protesto do punk.

Canções como “Fogo nos Racistas”, “Padrão é o Caralho” e “Perpétuo” sintetizam esse posicionamento ao denunciar o racismo estrutural e reivindicar igualdade e justiça social. Além das composições, o Black Pantera também participa de debates públicos sobre representatividade na música e a presença de artistas negros em um gênero historicamente associado a um público majoritariamente branco, consolidando-se como uma das vozes mais relevantes do rock brasileiro na atualidade.

*Estagiário sob a supervisão de Chico Alves





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