Com tapinha no ombro e sem ‘puxão’, Lula chega à Casa Branca para reunião com Trump

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou pouco depois do meio dia (horário de Washington) à Casa Branca pela sexta vez em sua carreira política. Agora, o encontro é com Donald Trump e considerada como uma das mais esperadas.

Ao sair do comboio, Lula foi recebido pelo republicano. Trump, ao contrário do que tem feito com dezenas de interlocutores para intimidá-los, não usou o aperto de mão para “puxar” o brasileiro. O gesto foi recebido com alívio por diplomatas, já que a marca registrada do republicano tem sido alvo de polêmicas em diferentes capitais pelo mundi. Já o brasileiro deu um tapinha no ombro do americano ao sauda-lo.

Os temas, porém, não são dos mais fáceis. Lula pretende propor ao americano uma cooperação para lutar contra o crime organizado, mas se recusa a falar na possibilidade de declarar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas. O Brasil ainda vai tentar explicar aos chefes da Casa Branca que não se justifica a adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros.

Do lado americano, Trump deve fazer propostas para uma aproximação ao país na exploração de terras raras. O Brasil, porém, rejeita a ideia de ser simplesmente um fornecedor de minérios e quer o processamento também no país.

De uma forma geral, porém, a missão de Lula é a de desenhar um pacto de não ingerência por parte de Donald Trump. Num ano eleitoral, a prioridade declarada da diplomacia brasileira é a de defender a democracia do país contra ataques externos.

A meta é a de manter aberto o canal entre os dois principais líderes no Hemisfério Ocidental e desmontar eventuais espaços para ataques contra a soberania brasileira.

Uma das linhas de atuação do Palácio do Planalto é a de fazer uma diferenciação entre o que são temas legítimos da relação entre Brasil e EUA e o que seria considerado como uma ingerência.

Lula irá levar a mensagem, por exemplo, de que classificar grupos criminosos brasileiros como “terroristas” não se justifica e rebater as investigações comerciais contra o país.

O governo dirá com todas as letras: “não existem terroristas no Brasil”.

Durante o encontro, a delegação brasileira levará dados do combate ao crime organizado e vai mostrar a diferença entre o narcotráfico e o terrorismo. Os membros do governo vão insistir que o Brasil “não tem grupos terroristas”.

Tudo, porém, terá como pano de fundo a tentativa de construção de uma relação que dê garantias ao Brasil de sua capacidade de autonomia na região e a preservação do processo eleitoral sem a interferência do governo dos EUA.

A esperança é de que, com a visita, Lula consiga evitar que Trump se envolva diretamente numa tentativa deliberada de desestabilização do Brasil. O risco continua sendo alto mesmo com o republicano neutralizado. Para a diplomacia brasileira, essa ingerência pode ocorrer por meio das big techs, de grupos ultraconservadores da sociedade civil americana e por ações encobertas por parte de alas mais radicais do trumpismo.





ICL Notícias

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