Brasil desafia embargo e terá centro cultural no coração de Havana

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Poucos ousam dizer qual será o destino de Cuba. A ilha passa por um de seus momentos mais dramáticos, com o governo de Donald Trump ensaiando uma ação militar para derrubar a revolução. Mas uma das poucas coisas que parece estar assegurada é que o Brasil terá um centro cultural no coração de Havana Velha, num desafio declarado à tentativa dos EUA de asfixiar o país do Caribe.

Marcada para ser inaugurada em setembro, a Casa Brasil é um sonho de pelo menos 30 anos de brasileiros, cubanos e instituições de ambos os países.

O imóvel escolhido para abrigar o espaço está no Centro Histórico de Havana, declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1982. Construído na primeira metade do século XVIII, o prédio conserva elementos característicos da arquitetura colonial e numerosos murais, que estão sendo restaurados.

Ainda que esteja sendo apoiado pelo Itamaraty, a iniciativa não é do governo brasileiro. A operação tem sido liderada pela Câmara Empresarial Brasil-Cuba, companhias e doadores privados.

O artista brasileiro Fernando Sawaya (“Cazé”), com o apoio do Instituto Guimarães Rosa, vai ser responsável pelo novo mural da Casa.

A inauguração em setembro será marcada por uma exposição sobre a Historia das Telenovelas Brasileiras, um produto que passou a fazer parte do cotidiano dos cubanos.

A data da inauguração não ocorre por acaso. 2026 marcar as comemorações dos 120
anos de estabelecimento de relações diplomáticas entre Brasil e Cuba (1906) e dos 40 anos do restabelecimento das relações entre os dois países (1986).

Ela ainda ocorre num momento em que governos estrangeiros são colocados sob pressão para não ampliar as relações com Cuba.

O local será administrado pela Oficina do Historiador da Cidade de Havana e, segundo um material de promoção do centro, terá como missão “fortalecer os vínculos culturais e de cooperação entre Brasil e Cuba, tornando-se espaço de referência para a promoção e divulgação da arte e da cultura brasileiras, bem como para a realização de atividades educacionais e de solidariedade entre os dois povos”.

A Casa Brasil terá espaços para eventos, salas de exposição e uma biblioteca. A esperança é de que acolha artistas, acadêmicos e personalidades do Brasil e de Cuba, organizando seminários, projeção de filmes, lançamentos de livros, exposições de artes visuais e oficinas de artesanato.

Para o Brasil, a Casa é vista como uma “vitrine da cultura brasileira na ilha” e “ponte de amizade e identidade entre brasileiros e cubanos”.

Mesmo com data marcada para abertura das portas do centro, as obras ainda estão exigindo que os organizadores saiam em busca de apoio e de doações. Um canal exclusivo foi criado para receber esses recursos, com doações que podem ser feitas até mesmo por pix.





ICL Notícias

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