ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
A América do Sul está vivendo um novo ciclo de expansão de petróleo sem precedentes. segundo reportagem da BBC News Brasil. De acordo com estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA), a região será a que mais vai crescer no setor até 2030, com aumento de produção estimado em 30% — superando, em ritmo de expansão, regiões historicamente dominantes como o Oriente Médio e os Estados Unidos.
Esse movimento é impulsionado por grandes projetos em águas profundas no Brasil e na Guiana, além da exploração de petróleo e gás não convencionais na Argentina. Ao mesmo tempo, países como Colômbia, Venezuela e Equador enfrentam queda de produção.
A seguir, veja os principais pontos desse avanço e seus desdobramentos:
Crescimento acelerado: Segundo a consultoria Rystad Energy, a América do Sul passará de uma produção de 7,4 milhões para 9,6 milhões de barris de petróleo por dia até 2030. Isso representa um crescimento médio anual entre 4% e 5%, muito acima da média global, que gira em torno de 1%.
Principais motores do crescimento:
- Pré-sal brasileiro: responsável por quase 5 milhões de barris diários de petróleo e gás natural.
- Bloco Stabroek (Guiana): operação liderada pela ExxonMobil é uma das maiores descobertas offshore da última década.
- Vaca Muerta (Argentina): reserva de xisto na província de Neuquén, que bateu recorde de produção e pode chegar a 1 milhão de barris/dia.
Brasil lidera com o pré-sal e aposta na Petrobras
O Brasil, maior produtor da América do Sul, bateu recordes em 2024 e deve continuar liderando a produção com projetos no pré-sal como Búzios, Mero, Sépia e Atapu. A Petrobras tem papel central, com investimentos em novas plataformas e aumento da capacidade de extração.
Entre os destaques, estão:
- O petróleo extraído no pré-sal é considerado de alta produtividade.
- Produção brasileira de petróleo e gás em junho: quase 5 milhões de barris/dia.
- Os custos relativamente baixos tornam o Brasil um destino atrativo para investidores internacionais.
Guiana vive revolução econômica com petróleo offshore
Desde 2015, a Guiana experimenta uma transformação econômica, graças às reservas localizadas no bloco Stabroek, no mar do Caribe. O consórcio liderado pela ExxonMobil é responsável por uma das maiores descobertas do século.
O país, com apenas 800 mil habitantes, deverá dobrar sua produção até 2030, e já responde por cerca de metade do crescimento petrolífero previsto para a América do Sul.
Argentina acelera a produção em Vaca Muerta
Longe do mar, a Argentina aposta em Vaca Muerta, uma das maiores reservas de petróleo e gás de xisto do mundo. A produção na província de Neuquén cresceu 28% em julho.
Em destaque, estão:
- Técnica de fraturamento hidráulico é necessária para extração.
- Um oleoduto de 400 km está previsto para 2026, ligando Vaca Muerta ao Atlântico.
Desafios: manter o ritmo após 2030
Embora os próximos anos prometam crescimento robusto, especialistas alertam que a manutenção do ritmo após 2030 depende de novas descobertas e da capacidade de atrair investimentos contínuos. A infraestrutura, a estabilidade regulatória e o ambiente de negócios serão decisivos.
Transição energética: Petróleo x clima
Apesar das críticas de ambientalistas, o avanço do petróleo na América do Sul ocorre em paralelo aos compromissos de redução de emissões. O presidente Lula afirmou que a receita do petróleo será usada para financiar energias renováveis, em preparação para a COP30 (Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas), que será sediada pelo Brasil em 2025.
“É dessa riqueza que a gente vai ter dinheiro para construir a sonhada transição energética”, disse Lula.
No entanto, organizações ambientais veem contradição entre a ampliação da exploração de combustíveis fósseis e os compromissos climáticos assumidos internacionalmente.
Futuro: entre a dependência global e as renováveis
Com a possibilidade de escassez de petróleo após 2030, especialistas argumentam que a exploração de novos campos pode ser necessária para manter a segurança energética global — evitando dependência excessiva da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e da Arábia Saudita.
Ao mesmo tempo, o custo competitivo da produção sul-americana faz da região um alvo estratégico para investidores privados, especialmente diante da queda de atratividade nos EUA, onde as principais bacias de xisto estão maduras.



