Bachelet perde apoio do Chile e será candidata pelo Brasil para liderar a ONU

0
36


A chilena Michelle Bachelet perdeu o apoio de seu próprio governo em Santiago para sua candidatura para liderar a ONU. Mas mantém sua aposta, agora com o apoio de Brasil e México. Seu nome havia sido lançado pelos três países latino-americanos para o pleito que será definido em outubro. Mas a vitória da extrema direita no Chile levou o governo local a rever sua posição e a retirar o apoio para Bachelet.

A candidata já foi presidente do Chile em duas ocasiões e é uma das líderes de esquerda da América Latina. Em fevereiro, ela foi oficialmente lançada para ocupar o cargo máximo da ONU, numa iniciativa que envolveu os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Claudia Scheinbaum e Gabriel Boric.

Mas a chegada ao poder de José António Kast, cujo irmão foi ministro de Pinochet, mudou a história. O líder da extrema direita decidiu romper com a chapa por Bachelet.

A chilena tenta ser a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária-geral da ONU e existia um compromisso informal de que, depois de 80 anos, a entidade teria candidatas apenas mulheres para a escolha no final de 2026.

Mas o governo de Javier Millei, apoiado por Donald Trump, decidiu ir adiante com o nome de Rafael Grossi, atual diretor da Agência Internacional de Energia Atômica.

Para ser eleita, Bachelet precisa contar com a maioria dos votos da Assembleia Geral da ONU e, principalmente, não pode ser vetada por nenhum dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

Bachelet, apesar de perder o apoio de seu próprio país, anunciou que não irá desistir.

Leia na íntegra o comunicado da chilena:

Historicamente, o Chile tem buscado fortalecer o multilateralismo e tem sido capaz de transcender ciclos e circunstâncias políticas. O compromisso com a cooperação internacional, a promoção da paz e os direitos humanos tem sido uma marca registrada que conferiu ao nosso país prestígio e reconhecimento no cenário global. Esse compromisso deriva de uma convicção inabalável no que diz respeito ao bem-estar global e à dignidade de todas as pessoas, princípios que norteiam meu trabalho para além de qualquer conjuntura política.

Nesse sentido, sou grato pelo apoio e pela confiança que o Estado do Chile expressou inicialmente ao apresentar publicamente esta candidatura em setembro passado e formalizá-la em fevereiro. Compreendo que as decisões de política externa podem mudar com novas administrações e, como ex-Chefe de Estado, considero essa decisão como parte das prerrogativas do atual chefe de governo, mesmo que minha visão para o Estado possa ser diferente.

Minha candidatura faz parte de uma visão compartilhada sobre a necessidade de fortalecer o sistema internacional e de contribuir, a partir da América Latina, para uma Organização das Nações Unidas à altura dos desafios do nosso tempo. Em um mundo turbulento, marcado por conflitos, desigualdades e profundas incertezas, precisamos de uma ONU mais eficaz, eficiente e relevante para cumprir suas tarefas essenciais nas áreas de paz e segurança, desenvolvimento e direitos humanos. Reformar e fortalecer o sistema multilateral não é um mero slogan; é uma necessidade urgente para melhorar a vida das pessoas.

Meu compromisso em contribuir para esse desafio permanece inabalável; portanto, continuarei trabalhando com os governos do Brasil e do México, que me indicaram, reafirmando o caráter coletivo deste projeto. Uma candidatura deste nível nunca é fácil, mas os valores e princípios que nortearam minha vida me levam a assumir este desafio com responsabilidade e convicção. Por fim, continuarei trabalhando com o olhar voltado para o futuro, como tenho feito ao longo da minha vida, convicto de que os desafios do século XXI exigem uma cooperação generosa que transcenda as legítimas diferenças políticas internas.





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui