Em reunião, prefeito de SP convoca servidores comissionados para ato de Flávio Bolsonaro; ouça o áudio

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Por Gilberto Nascimento

Funcionários que ocupam cargos de confiança na prefeitura de São Paulo foram convocados pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) para marcar presença no ato de campanha do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, neste domingo (18), na avenida Paulista, a partir das 11 horas.

Servidores de cargos comissionados – funcionários sem a necessidade de concurso público -, disseram à reportagem do ICL Notícias ter sido obrigados a participar de uma reunião comandada por Ricardo Nunes neste sábado (17), num casarão na avenida Brasil, nos Jardins, região nobre de São Paulo, onde funcionou o comitê político da candidatura à reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo paulista.

Nesse encontro, o prefeito fez a convocação para o ato de Flávio Bolsonaro.  “Se puder estar todo mundo lá. Se puderem postar nas redes sociais convidando as pessoas a estarem lá amanhã, criar a lista de transmissão no WhatsApp (todo o mundo tem a lista de transmissão aqui), fazer a lista de transmissão, ir para a rua nesses últimos dias para falar com todo o mundo. Enfim, todo o mundo aqui é craque e sabe”, conclamou Ricardo Nunes.

 

Reunião de Ricardo Nunes com servidores comissionados.
Reunião de Ricardo Nunes com servidores comissionados.

Cerca de 300 pessoas participaram da reunião, em uma área aberta no interior da residência onde funcionou o comitê de Tarcísio de Freitas. Estavam ali dirigentes de autarquias e responsáveis por áreas importantes de secretarias municipais, como as de Educação, Saúde e Habitação.

‘É totalmente diferente um do outro”, disse o prefeito Ricardo Nunes, ao se referir aos candidatos à Presidência, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro, defendendo o nome do senador do PL. “Nós estamos falando de salvar o nosso país. Nós vamos salvar. Eles estão arrebentando com tudo. Eles estão nos perseguindo”, acusou o prefeito paulistano. “Vocês sabem qual é o único vermelho que vai ter nessa eleição no dia 25? É o cartão vermelho do Lula para o Lula”, criticou.

E pediu o apoio dos presentes, mais uma vez: “E a cada um aqui: homens, mulheres, jovens, vamos nessa semana mostrar a nossa força. Vamos mostrar que São Paulo é igual ao que está escrito em nossa bandeira: nós não somos conduzidos, nós conduzimos. Nós vamos dar o exemplo e fazer com que o Flávio possa ter uma boa vitória. Eu não tenho dúvida nenhuma de que a gente vai poder voltar aqui e comemorar, mais do que isso, o futuro do Brasil, o desenvolvimento e a prosperidade para as pessoas”, discursou o prefeito, recebendo aplausos.

“Está muito claro o que gente precisa fazer aqui nessa semana. Eu queria muito poder encontrar vocês lá na Paulista às 11 horas. Vamos atravessar a Paulista inteira numa camionete, eu, o Flávio, o Tarcísio e o Nicholas (Ferreira, o deputado federal do PL por Minas Gerais)”, anunciou.

Ouça o áudio:

Denúncia pode resultar até em cassação

O advogado Fernando Neisser, professor de Direito Eleitoral da Fundação Getúlio Vargas (FGV), disse que o Ministério Público deve apurar as denúncias de servidores para esclarecer se houve infração às regras da Justiça Eleitoral.

“Com esse relato, é o suficiente para o Ministério Público instaurar um procedimento preparatório eleitoral, o nome técnico no juridiquês dessa investigação, para tentar corroborar ou não as provas dessa narrativa”, disse o especialista.

“É preciso apurar se existiu esse constrangimento para estar no evento de sábado. Aparentemente, a convocação no sábado para o domingo está dentro daquilo que a legislação permite. Agora, se essas pessoas, servidores comissionados, que sabem que sempre têm uma faca sobre a cabeça, foram constrangidos a estar no evento de sábado, há uma conduta vedada. Haveria uma conduta vedada, que levaria a uma multa. E pode, a depender de uma análise de gravidade feita pela Justiça Eleitoral, até levar uma cassação de candidatura do candidato beneficiado. Pode também não ser esse o caso por se tratar de algo muito localizado”, explicou Fernando Neisser.

O ICL Notícias procurou a assessoria de comunicação da Prefeitura de São Paulo, mas teve não retorno até o momento.





ICL Notícias

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