Milton Leite tinha R$ 280 mil e US$ 89 mil em malas guardadas dentro de ‘passagem secreta’ entre imóveis de SP

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A Polícia Civil e o Ministério Público (MP), encontraram cerca de R$ 457 mil em dinheiro vivo, em uma espécie de ‘passagem secreta’ entre dois imóveis ligados ao ex-vereador de São Paulo, Milton Leite (União Brasil). Durante as buscas realizadas nesta sexta-feira (18), em Sorocaba, no interior paulista, os agentes apreenderam R$ 280 mil e US$ 89 mil guardados em duas malas distintas. O ex-presidente da Câmara está foragido desde a última quinta-feira (17), sob suspeita de envolvimento com o PCC.

Um dos imóveis é ligado a um ex-assessor de Milton Leite e o outro pertence ao próprio ex-parlamentar. Segundo a polícia, havia a suspeita de que Leite pudesse estar escondido na residência do assessor, mas ele não foi localizado durante as diligências.

A passagem foi descoberta pelos policiais durante a operação. Além do dinheiro, foram apreendidos documentos nos imóveis. A pessoa encontrada em um dos endereços não teria conseguido explicar a origem dos valores. A polícia não sabe a origem do dinheiro e investiga se eles são de Milton.

Milton Leite é alvo de um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil.

O ex-vereador havia afirmado à imprensa, no dia anterior, que estava viajando e que se apresentaria às autoridades em até 24 horas. Até a manhã desta sexta, porém, ele ainda não havia sido localizado nem se apresentado às autoridades. Ele nega as acusações e disse que irá provar a sua inocência.

A operação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro, corrupção e infiltração do PCC em empresas de transporte coletivo e estruturas do poder público de São Paulo.

Ao todo, a Justiça determinou a prisão temporária de 16 pessoas e autorizou buscas em 18 endereços. Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, que presidiu a SPTrans entre 2019 e fevereiro de 2025.

Investigação cita Transwolff

Dinheiro apreendido em imóvel em Sorocaba, interior de São Paulo, onde Milton Leite estaria escondido. — Foto: Reprodução
Dinheiro apreendido em imóvel em Sorocaba, interior de São Paulo, onde Milton Leite estaria escondido. — Foto: Reprodução

A decisão judicial que autorizou a operação aponta Milton Leite como suposto “dono de fato” da Transwolff, empresa de ônibus que já havia sido alvo da Operação Fim da Linha, em 2024.

Segundo os investigadores, o ex-vereador teria participação na operação da companhia. A investigação cita diálogos e outros elementos reunidos durante as apurações, além de depoimentos que apontariam Leite como responsável pela empresa.

A Transwolff nega que Milton Leite tenha participação societária ou atuação na gestão da companhia.

Na quinta, após não ser localizado pela Polícia Civil em sua residência durante o cumprimento do mandado, Milton divulgou uma nota, por meio de sua assessoria de imprensa, na qual negou estar foragido: “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações.”

A investigação atual é um desdobramento da Operação Decúrio, realizada em 2024. Segundo o Ministério Público, 12 das 22 empresas de transporte coletivo que atuam na capital paulista seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC. A afirmação integra a investigação e ainda será submetida à análise da Justiça.





ICL Notícias

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