Por Gabriel Gomes
O deputado estadual Sargento Lima (PL) propôs uma moção de aplauso para homenagear dois policiais militares envolvidos na ocorrência em que a candidata do PT Fernanda Klitzke, segunda suplente ao Senado na chapa de Décio Lima, foi derrubada, chutada e atingida por disparos de bala de borracha em Jaraguá do Sul. A atuação dos agentes está sendo investigada pela Corregedoria-Geral da Polícia Militar.
Vídeos da ocorrência mostram Fernanda sendo imobilizada por uma policial e, já no chão, atingida por um chute e por disparos de munição de impacto controlado. A candidata afirma ainda ter levado um golpe conhecido como “mata-leão”. Pelo menos sete boletins de ocorrência foram registrados por testemunhas da abordagem.
Conteúdo protegido pelo Instagram.
O Instagram restringe a exibição desta publicação em outros sites.
Ver no Instagram
Mesmo com a investigação em andamento sobre a atuação dos agentes, Sargento Lima apresentou a moção para homenagear os cabos Rafaela Natália Branco e Clovis Kaue Weber pelos “relevantes serviços prestados à comunidade de Jaraguá do Sul/SC em ocorrência policial”.
Na justificativa, a proposta afirma que Weber atuou “diretamente na abordagem e na contenção dos envolvidos” e manteve a “condução técnica da ocorrência” mesmo diante do que o documento classifica como “resistência” e “conduta agressiva”. Sobre Rafaela, o texto sustenta que a policial sofreu uma lesão provocada pela interferência física de terceiros e permaneceu em serviço até o encerramento da ocorrência.
A homenagem estava prevista para ser votada nesta terça-feira (15), mas a sessão acabou sem quórum.

Reação na Alesc
A tentativa de homenagear os policiais envolvidos na abordagem que terminou com Fernanda imobilizada e atingida por balas de borracha provocou reação dentro da Alesc. As deputadas Luciane Carminatti (PT) e Carolline Sardá (PSOL) criticaram a proposta durante a sessão desta terça.
O líder da bancada do PT e presidente estadual do partido, deputado Fabiano da Luz, também classificou a iniciativa como “absurda”.
“Não podemos permitir que se faça uma homenagem a policiais que agrediram uma mulher desarmada, numa abordagem que não oferecia riscos. Esse caso precisa ser investigado pela Corregedoria da Polícia Militar”, afirmou.
“Poderia ter acontecido com qualquer outra mulher, com a minha mãe, minha esposa, minhas filhas e minhas netas. Vejo tudo isso com muita preocupação”, acrescentou.
A bancada petista apresentou ainda um pedido de informações ao governador Jorginho Mello (PL), ao Comando-Geral da Polícia Militar e à Secretaria de Segurança Pública. Em nove pontos, os deputados cobram explicações sobre o uso da força e da munição, a cadeia de comando da operação e a eventual utilização de câmeras corporais pelos policiais envolvidos.
O governador Jorginho Mello, por sua vez, saiu publicamente em defesa da atuação da Polícia Militar e acusou integrantes do PT de terem armado uma “armadilha” contra a corporação.

Candidata foi detida durante ocorrência
A abordagem aconteceu na noite de sábado (12), após a Polícia Militar ser acionada para atender uma reclamação de perturbação do sossego e ameaça. Fernanda participava de uma confraternização com integrantes do PT nas proximidades.
As versões sobre o que levou à escalada da ocorrência divergem. Segundo a PM, pessoas presentes passaram a interferir na ação dos agentes e houve resistência às determinações policiais. A corporação alega que uma policial sofreu uma lesão na mão e precisou de atendimento médico.
Fernanda afirma que tentou acompanhar a ocorrência na condição de advogada. Ela e outras duas pessoas foram conduzidas à delegacia. Depois de liberada, a candidata registrou boletim de ocorrência contra os policiais.
Além de Fernanda, outro participante da festa foi atingido por uma bala de borracha na altura da virilha. Na ocasião, a Polícia Militar informou que três pessoas foram conduzidas à Delegacia de Polícia.
Após ser liberada, Fernanda registrou boletim de ocorrência contra os policiais. Ao menos sete B.O.s foram registrados por testemunhas que presenciaram a abordagem.
A Polícia Militar informou que o emprego da força será submetido aos mecanismos institucionais de análise e controle. A Corregedoria-Geral da PM ficou responsável por investigar integralmente as circunstâncias da ocorrência e a atuação dos agentes.
O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) também informou que acompanha os desdobramentos do caso e defendeu uma apuração célere e transparente.



