Independência ou morte. A mitologia sobre a formação do Brasil nos diz que essa foi a declaração que marcou nosso nascimento como um país soberano. Sabemos que não foi bem assim. Tratou-se de um arranjo de elites, uma cena que nossa história teima em repetir com uma frequência insuportável.
Hoje, porém, me pergunto se estamos diante do último dia da independência de nossa geração.
Em poucas semanas, o país vai às urnas escolher seu destino e um dos campos simplesmente propõe um projeto de submissão, de entrega de autonomia e de perpetuação de um modelo colonial no qual oferecemos nossos abundantes recursos em troca de espelhinhos.
A extrema direita sugere um alinhamento com uma potencia que fala abertamente sobre como sua segurança nacional depende do controle do hemisfério.
Para isso, sequestram líderes, promovem campanhas de desinformação, roubam bilhões de dólares em recursos naturais e, sem constrangimento, admitem que nunca foi sobre a democracia ou a defesa dos direitos humanos.
Como já ocorreu em outros momentos de nossa história, uma elite se apresenta disposta a entregar o país em troca de poder. E, mais uma vez, fazer com que cheguemos atrasados ao futuro.
Num momento de redefinição da ordem global, optar por sucumbir a um poder decadente será um dos capítulos mais nefastos de uma história repleta de crimes imperdoáveis.
No poder, esses fantoches pessimamente disfarçados de patriotas passarão a ser apenas personagens coadjuvantes de um fábula de um país que deixou de ter um projeto nacional.
Pedirão a seus apoiadores que continuem a usar as cores do país, numa ilusão de que o futuro é definido em português.
Só não contarão que aquele 7 de setembro de 2026 pode ter sido o último dia da independência antes de uma longa noite uma vergonhosa vassalagem.
Talvez mudem o feriado. Para 4 de julho.



