A sequência de sabatinas do JN (Jornal Nacional) com os principais candidatos à Presidência provocou um mal-estar profundo. Afinal, por que dar palco a tanta iniquidade, mentira e força bruta? Por que alimentar projetos nefastos, neofascistas e ditatoriais?
Um dos candidatos, sabidamente, está associado a toda sorte de crimes e práticas de corrupção, desde as milícias até os grandes crimes de colarinho branco.
Outro é um agitador neofascista que abertamente defende um punitivismo que nem Frantz Fanon nem Michel Foucault seriam capazes de “decifrar”.
Um outro é um coach da psiquiatria ou, melhor dizendo, um empreendedor neoliberal de ideias prontas, rasas e também autoritárias. Ele é mais polido, mas não esconde seu latente autoritarismo.
Tem até candidato que viveu a vida toda como candidato-empresário alimentando uma presidência que nunca veio.
Já o candidato mais experiente, do alto de seus 80 anos, não consegue se livrar do rótulo e da constante suspeição que a grande mídia lhe impõe desde o mensalão: ele seria sinônimo de corrupção.
Mas o que todos eles têm em comum na vida cotidiana do eleitor? Causam um mal-estar existencial profundo, uma sensação nauseabunda de que nada disso cola, de que o sistema precisaria ser implodido, ou melhor, explodido por uma revolta generalizada.
Mas por que isso não acontece? Que estruturas permitem a continuidade implacável desse sistema?
Uma das respostas já temos. Trata-se de uma forma hegemônica de pensar a vida, que a concebe como ganho, barganha e mercadoria. Estamos todos condenados ao “empreendedorismo do sucesso”, dos mais pobres aos mais ricos. Um único “mindset” domina a vida pública e privada: tudo precisa dar lucro, tudo precisa buscar o superávit primário e o controle da dívida pública. Somos todos massacrados e mantidos reféns do reinado tirânico de um mundo neoliberal do não cuidado, da negação dos laços comunitários, da escassez…
O problema é que tudo isso ocorre no cotidiano simples e prático da vida material. As pessoas precisam comer, ter teto, ter chão, ter roupa, um mínimo de acesso às benesses da produção de uma vida material que nos diferenciou de todas as outras espécies do planeta azul.
E é isso que interessa aqui, mais uma vez, nesta nauseabunda eleição: quem promove o acesso dos despossuídos ao mínimo necessário para a dignidade de uma vida cotidiana e implacável? Pensa rápido, eleitora, eleitor, até porque toda uma forma de pensar, escrever e ler o mundo está com seus dias contados.
Concebida na Califórnia no final de 1940, enquanto o mundo mergulhava na Segunda Guerra Mundial, “A Face da Guerra” funciona como uma denúncia visceral de Salvador Dalí. O quadro expõe o trauma deixado pelas guerras civis e globais, retratando graficamente que o saldo de qualquer conflito é sombrio, mortífero, a mais pura destruição. Fonte: WikiArt.



