O Brasil coloca o continente africano como um dos seus focos para promover uma diversificação dos destinos das exportações nacionais e reduzir a dependência da balança comercial em relação aos principais destinos para os produtos brasileiros.
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) abrirá um novo escritório em Adis Abeba, na Etiópia, identificou mais de 5,3 mil oportunidades de negócios e inicia uma missão empresarial nesta semana que passará pela África do Sul, Zâmbia e Moçambique, além da Etiópia.
Em uma nota oficial, a agência indicou que a estratégia é “ampliar a presença brasileira em mercados ainda pouco explorados e reduzir a concentração das exportações em destinos tradicionais”.
O movimento do Brasil em busca de novos mercados foi intensificado depois da onda de barreiras comerciais estabelecidas por Donald Trump contra os produtos nacionais. Além de manter negociações com a Casa Branca para tentar destravar o tarifaço, outro caminho adotado pelo governo foi o de realizar consultas com o setor privado para identificar alternativas para garantir que as perdas no mercado americano possam ser, em parte, substituídas por novas oportunidades.
Uma das apostas, portanto, é o continente africano. Hoje, o comércio entre Brasil e África movimenta US$ 23,7 bilhões, mas a ApexBrasil identificou 5.309 oportunidades de exportação para empresas brasileiras no continente. “O potencial está não apenas no agronegócio, mas também em máquinas e equipamentos, produtos químicos, manufaturados, alimentos, saúde e infraestrutura”, disse a agência.
Nesta semana, a missão empresarial começa em Joanesburgo, onde estão previstas rodadas de negócios e encontros. A África do Sul, segundo a agência, já é o principal mercado da região para o Brasil e concentra 581 oportunidades identificadas.
“Em seguida, a agenda passa por Lusaca e Maputo, onde o Brasil participará da FACIM 2026 como País de Honra. Em Moçambique, a Apex identifica outras 144 oportunidades de exportação”, apontou a agência.
“O movimento termina na Etiópia, segundo país mais populoso da África, com cerca de 135 milhões de habitantes, onde a abertura do escritório pretende dar à ApexBrasil uma presença permanente para acompanhar oportunidades comerciais e aproximar empresas brasileiras de governos e do setor privado”, completou.
Em março, a Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos) realizou uma cúpula com governos africanos, em Bogotá. Na ocasião, o esforço do Brasil foi justamente o de sinalizar para uma aproximação entre os dois continentes.
Na reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a instalação de escritório da Embrapa em Adis Abeba e insistiu na busca por cooperação para o desenvolvimento do setor agropecuário no continente africano.



