General alvo de moção por intimidação assume comando militar em SP

1
5


Por Cleber Lourenço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou o general de divisão Emílio Vanderlei Ribeiro para comandar a 2ª Região Militar, sediada em São Paulo. A mudança ocorre pouco mais de três meses depois de o militar se tornar alvo de uma moção de repúdio aprovada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara, após um confronto com o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que acusou o oficial de tentar intimidá-lo dentro da Câmara dos Deputados.

A nomeação foi publicada em decreto presidencial no Diário Oficial da União de 31 de julho. Até então, Emílio ocupava a chefia da Assessoria Parlamentar do Exército, estrutura responsável pela interlocução da Força com o Congresso Nacional. Com o decreto, ele deixa o gabinete do comandante do Exército e assume o comando da 2ª Região Militar, organização responsável pela administração militar no estado de São Paulo e considerada uma das mais relevantes do país.

A movimentação recoloca em evidência um episódio que provocou forte desgaste político para o Exército no primeiro semestre deste ano e levou parlamentares a cobrarem providências do Ministério da Defesa.

O confronto na Câmara

O episódio ocorreu em 29 de abril, logo após uma reunião da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. Durante a sessão, Marcel van Hattem fez duras críticas ao comandante do Exército, general Tomás Paiva, chegando a chamá-lo de “frouxo” e de “ajudante de ordens” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Segundo o deputado, ao deixar o plenário foi abordado pelo general Emílio Vanderlei Ribeiro, que reagiu às críticas dirigidas ao comandante da Força. O parlamentar afirmou que se sentiu intimidado pela conduta do militar e denunciou o caso publicamente.

A repercussão levou deputados da comissão a apresentarem dois requerimentos. O primeiro, o REQ 58/2026, aprovou uma moção de repúdio à atuação do general. O segundo, o REQ 60/2026, pedia que o Ministério da Defesa retirasse Emílio da chefia da assessoria parlamentar do Exército e adotasse providências disciplinares.

Promessa de providências

O pedido de afastamento, entretanto, acabou retirado de pauta.

Na ocasião, parlamentares relataram que o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, entrou em contato com Marcel van Hattem, pediu desculpas pelo episódio e informou que adotaria providências internas. Diante desse compromisso, os autores decidiram aguardar a atuação do ministério antes de insistirem na votação do requerimento.

A moção de repúdio, por sua vez, foi aprovada pela comissão e encaminhada oficialmente ao Ministério da Defesa.

Até o momento, porém, não há registro público de eventual sindicância, procedimento disciplinar ou conclusão das medidas prometidas pelo ministério. Também não foi localizada resposta oficial ao ofício enviado pela comissão comunicando a aprovação da moção.

Quem é o general Emílio Vanderlei Ribeiro

General de divisão do Exército Brasileiro, Emílio Vanderlei Ribeiro construiu sua carreira principalmente em funções de Estado-Maior e de assessoramento.

Antes de assumir a Assessoria Parlamentar do Exército, ocupou diferentes funções de comando e planejamento dentro da Força. Em março deste ano, foi promovido ao posto de general de divisão, uma das mais altas patentes da carreira militar.

Na chefia da assessoria parlamentar, tornou-se o principal elo institucional entre o Comando do Exército e o Congresso Nacional, acompanhando votações, audiências e reuniões com deputados e senadores.

Agora, passa a comandar a 2ª Região Militar, responsável pela administração de organizações militares, serviço militar, logística, patrimônio, saúde e mobilização no estado de São Paulo, uma das estruturas mais importantes do Comando Militar do Sudeste.

Nomeação faz parte de mudanças na cúpula

O decreto que nomeou Emílio integra uma ampla rodada de movimentações promovidas pelo governo federal nos altos comandos das Forças Armadas.

O ato também transferiu outros oficiais-generais para diferentes comandos e órgãos militares. Por isso, a documentação oficial não permite concluir que a escolha do general para São Paulo tenha relação direta com o episódio envolvendo Marcel van Hattem.

O fato novo, porém, é que a mudança ocorre depois de um dos maiores desgastes públicos enfrentados pelo militar durante sua passagem pela assessoria parlamentar do Exército e sem que o resultado das providências prometidas pelo Ministério da Defesa tenha sido divulgado.

O ICL Notícias procurou o Ministério da Defesa e o Exército para informar se foi instaurada alguma investigação interna sobre o episódio, qual foi seu eventual resultado e se a movimentação do general já fazia parte do planejamento regular de transferências da Força antes do confronto com o deputado. Caso haja manifestação, a reportagem será atualizada.





ICL Notícias

1 COMENTÁRIO

  1. Casino 4K ở trang chủ 789Win đẳng cấp vãi chưởng, nhìn Dealer chia bài mà cứ ngỡ đang ngồi sòng Macau thật vậy. Anh em nên tải cái app của nhà cái này về điện thoại mà chơi cho tiện, lướt cực mượt mà không bao giờ lo bị nhà mạng chặn link.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui