IPCA-15 surpreende ao ficar abaixo das projeções com queda de alimentos em julho

0
1


Por Leonardo Vieceli

(Folhapress) – A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou a 0,06% em julho, após marcar 0,41% em junho, apontam dados divulgados nesta terça-feira (28) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A taxa de 0,06% surpreendeu analistas ao ficar bem abaixo das projeções do mercado financeiro. A mediana das estimativas era de 0,22%, enquanto o piso (menor previsão) estava em 0,15%, conforme a agência Bloomberg.

O IPCA-15 teve a menor variação para meses de julho em três anos, desde 2023 (-0,07%). Também mostrou a menor taxa mensal de 2026.

Após oito meses em alta, o grupo alimentação e bebidas teve queda de preços em julho (-0,66%). Assim, gerou o principal impacto para baixo (-0,15 ponto percentual) entre os nove ramos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE.

O IPCA-15 também perdeu força no acumulado de 12 meses. Desacelerou a 4,52% até julho, após marcar 4,8% até junho.

Apesar da trégua, segue levemente acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). O IPCA é o índice oficial de preços do Brasil.

trabalho
O IBGE destacou a redução do custo da alimentação no domicílio em julho, produtos in natura tiveram baixa mais intensa do que a esperada (Foto: Reprodução)

Projeção de corte de juros

A publicação dos dados ocorre uma semana antes da nova reunião do Copom (Comitê de Política Monetária).

O colegiado do BC terá encontro nos dias 4 e 5 de agosto para definir o patamar da taxa básica de juros, a Selic, que está em 14,25% ao ano.

Para o economista Rafael Rondinelli, da Mag Investimentos, o IPCA-15 não altera a visão de um cenário inflacionário que segue pressionado no país, mas reforça a projeção de corte de juros na próxima semana.

Analistas esperam pelo menos mais uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, o que levaria a taxa para 14%.

Queda do tomate é destaque

Segundo economistas, a queda de alimentação e bebidas reflete, em parte, melhores condições de produção nesta época do ano, após a pressão dos preços observada no primeiro semestre.

O IBGE destacou a redução do custo da alimentação no domicílio em julho (-1,14%).

Produtos in natura tiveram baixa mais intensa do que a esperada, o que ajuda a explicar a surpresa com o IPCA-15, conforme o economista Leonardo Costa, da instituição financeira Asa.

Houve recuos em produtos como tomate (-19,95%), batata-inglesa (-10,03%) e café moído (-3,13%). Do lado das altas, o IBGE citou alimentos como cebola (7,10%) e pão francês (0,65%).

Individualmente, o tomate gerou o maior impacto para baixo no IPCA-15 de julho (-0,07 p.p.), seguido pela gasolina (-0,04 p.p.), cujos preços recuaram 0,68%.

“O resultado do IPCA-15 de julho revelou uma composição mais favorável, com surpresas positivas distribuídas de maneira generalizada entre as aberturas do indicador”, disse a economista Mariana Rodrigues, da SulAmérica Investimentos.

“Nos preços administrados, o principal destaque foi o recuo mais intenso da gasolina, que conseguiu neutralizar o avanço da energia elétrica.”

A energia elétrica residencial subiu 3,03% no mês. Assim, gerou um impacto de 0,12 ponto percentual no IPCA-15.

Foi a principal contribuição individual do lado das altas, seguida pela pressão da passagem aérea (0,09 p.p.), cujos preços subiram 11,7%. Julho costuma ser um mês de demanda mais aquecida por viagens devido ao período de férias.

Segundo o IBGE, a carestia da conta de luz reflete a cobrança adicional da bandeira tarifária amarela, além de reajustes de concessionárias em parte dos locais pesquisados.

IPCA-15 e IPCA

O IPCA-15 é divulgado antes do IPCA. Por isso, sinaliza uma tendência para o índice oficial de inflação. Uma das diferenças entre os dois é o período de coleta dos preços.

A apuração do IPCA-15 abrange a segunda metade do mês anterior e a primeira do mês de referência. No caso de julho, a coleta foi realizada de 17 de junho a 15 de julho.

Já o levantamento do IPCA ocorre ao longo do mês de referência. Por isso, o resultado de julho ainda não está fechado. Será divulgado pelo IBGE em 11 de agosto.

Segundo a consultoria 4intelligence, o IPCA-15 trouxe surpresas para baixo em componentes de alimentação e bebidas, transportes e despesas pessoais neste mês.

O mercado financeiro já havia sido surpreendido pelo IPCA de junho, divulgado no último dia 10. O índice desacelerou a 0,16% no sexto mês do ano, enquanto a mediana das estimativas sinalizava alta de 0,31%.

Previsões para 2026

A 4intelligence projeta que o IPCA passará de 4,64% para 4,48% no acumulado de 12 meses até julho, ficando abaixo do teto da meta (4,5%).

A previsão da consultoria, porém, indica alta de 5,3% para o dado fechado de 2026. A 4intelligence sinaliza que os impactos do fenômeno climático El Niño e as incertezas da guerra no Irã podem afetar a inflação.

O El Niño desafia o agronegócio ao alterar a distribuição das chuvas nas regiões. Em caso de perdas no campo, analistas afirmam que os preços de alimentos podem ficar mais caros para o consumidor a partir do segundo semestre.

Na mediana, as projeções do mercado apontam alta de 5,12% para o IPCA de 2026, conforme o boletim Focus, divulgado na segunda (27) pelo BC.

A estimativa caiu pela quarta semana consecutiva, mas segue acima do teto da meta de inflação.





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui