Bloco do MST em Olinda reúne 5 mil pessoas unindo alegria e luta popular

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Por Rodrigo Gomes e Vinicius Sobreira – Brasil de Fato

O desfile do Bloco Sem Terra reuniu cerca de 5 mil pessoas nesta segunda-feira (16) de Carnaval, em Olinda, Pernambuco. Tanta gente, que forçou o bloco a sair mais cedo do que o esperado da barraca do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que este ano ficou atrás da Igreja do Carmo. A concentração teve início por volta das 14h, reunindo militantes, amigos e simpatizantes com muita diversão, fantasias políticas e da cultura nacional, como a dona Sebastiana do filme O Agente Secreto.

Bandeiras do MST e um bonecão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também faziam parte do cortejo. No caminho, o bloco recebeu amplo apoio da população pelas ruas do Sítio Histórico, como a Rua do Bomfim.

Para os participantes do bloco, inclusive, unir luta e diversão é fundamental para o avanço das demandas populares. “Não tem revolução, nem democracia, sem folia, sem festa, sem alegria do povo, sem cultura popular. É por isso que a gente tá aqui mais uma vez no maior carnaval do mundo, Carnaval de Olinda, de Recife, para festejar com o povo, festejar o movimento sem terra, o carnaval e a nossa revolução e a democracia”, afirma Pedro Alcântara, vice-presidente do PT em Pernambuco.

Além das manifestações dos participantes, o bloco também traz uma proposta de tema do desfile. Neste ano, foi escolhido o lema “soberania e folia não se negocia”, levantando a bandeira da luta anti-imperialista, criticando os desmandos do governo estadunidense sob o comando de Donald Trump, que é representado por um boneco gigante no bloco.

“Esse é o foco principal, nesse momento histórico, com todo esse ataque que o imperialismo vem fazendo na América Latina, na busca pelos recursos naturais do povo latino-americano, em especial com essa grande agressão que aconteceu à Venezuela e com a captura do presidente Nicolás Maduro. Soberania não se negocia”, explica Paulo Mansan, da Coordenação Nacional do MST.

O Bloco Sem Terra também defendeu o fim da escala 6×1, em uma perspectiva de lazer como direito humano, presente no artigo 24º da Declaração Universal, reivindicação diretamente ligada ao direito ao tempo livre e ao descanso.

A vereadora de Olinda, Eugênia de Lima (PT), que contou com um bonecão em sua homenagem, destacou que o tema do Bloco Sem Terra dialoga também com as demandas dos próprios trabalhadores do Carnaval.

“A gente está com o Carnaval possível, não o melhor Carnaval, não o Carnaval que a gente queria. Após o Carnaval, vamos começar uma consulta pública para que a gente possa garantir os direitos, melhorar as condições dos trabalhadores, que são eles que fazem essa folia ser o que é. Carnaval também é política e a gente deve garantir os direitos para todos os trabalhadores que fazem dessa festa ser o que ela é”, afirmou.

Desde 2013, desfilando no centro histórico

No ano 2000, o MST montou uma barraca para comercializar alimentos e bebidas no Carnaval de Olinda, buscando construir aquele como um local de encontro da militância na festa. Já naquele ano, os presentes decidiram colocar uma troça na rua, saindo da Ribeira, com o nome “Vará pra funcionar”, um trocadilho com a burocracia para colocar uma placa em frente ao escritório do movimento no Recife, já que foi necessário um alvará. No ano seguinte, a troça trouxe o brinquedo popular do boi.

Desde 2013, os integrantes e simpatizantes do MST desfilam no centro histórico de Olinda | Crédito: Anderson Stevens/Comunicação Rosa Amorim
Desde 2013, os integrantes e simpatizantes do MST desfilam no centro histórico de Olinda | Crédito: Anderson Stevens/Comunicação Rosa Amorim

Ano após ano, a troça cresceu e desfila, desde 2013, como um grande bloco pelas ruas do Sítio Histórico, unindo política e brincadeira, a luta e a festa, e atraindo lideranças políticas e sociais, militantes, ativistas, amigos e simpatizantes do movimento, além de outras troças e estandartes ligados às lutas sociais, como aquelas tocadas pela União Nacional dos Estudantes (UNE), pelo Levante Popular da Juventude e pela União da Juventude Socialista (UJS). Em 2026, o Bloco Sem Terra realizou uma prévia gratuita, no fim de janeiro.

O quartel general do Carnaval do MST foi montado na rua Dom Pedro Roeser, nº 190, no bairro do Carmo. O local é popularmente conhecido como Sítio de Seu Reis e fica por trás da Igreja do Carmo. Com acesso gratuito e aberto à população, o local conta com DJ e bandas ao vivo todos os dias, mesas e cadeiras, comercialização de bebidas e refeições com itens da reforma agrária, mesas e cadeiras, chuveirão e uma cama elástica para as crianças.

Neste ano de 2026, o movimento deu início também ao Bloco do MST, no Rio de Janeiro, tendo ido às ruas no dia 7 de fevereiro, na Cinelândia. O Movimento Sem Terra foi também homenageado no Carnaval de São Paulo, pela Acadêmicos do Tatuapé, que teve a agricultura familiar e a luta pela reforma agrária como temas centrais. O desfile contou com lideranças e amigos do MST nos carros alegóricos.





ICL Notícias

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