O Banco Central atualizou suas projeções e passou a estimar que a inflação brasileira atingirá a meta de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028. A informação consta no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (18). Na edição anterior, publicada em setembro, a previsão para o mesmo período era de 3,1%. O BC também revisou para cima a expectativa de crescimento do PIB deste ano, de 2% para 2,3%.
As novas estimativas são consideradas fundamentais para orientar as expectativas do mercado em relação aos próximos passos da política monetária, especialmente sobre o início do ciclo de corte da Selic. Hoje, a taxa básica de juros está em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006. Entre analistas, há divisão sobre quando começará a flexibilização, com apostas concentradas entre janeiro e março.
O Comitê de Política Monetária (Copom) define os juros mirando o chamado “horizonte relevante”, que considera os efeitos da política monetária cerca de 18 meses à frente, devido ao tempo de transmissão dos juros para a economia. Para as reuniões de janeiro e março, esse horizonte será o terceiro trimestre de 2027, quando a projeção de inflação ainda permanece acima da meta, em 3,2%, embora abaixo dos 3,3% estimados anteriormente.
No cenário traçado pelo BC, o IPCA deve encerrar 2027 em 3,1%, ainda acima do alvo central. Segundo o próprio relatório, a inflação segue em trajetória de desaceleração, mas permanece acima da meta até o fim de 2027.
Ainda assim, o fato de a projeção alcançar 3% no início de 2028 é simbólico. Trata-se da primeira vez, desde setembro de 2023, que as projeções oficiais do Banco Central convergem para a meta em algum horizonte divulgado. Esse movimento reforça a avaliação recente da autoridade monetária de que o processo de desinflação vem ganhando credibilidade.
De acordo com o BC, o comportamento esperado do IPCA é o seguinte:
- 4,4% ao fim de 2025, acima do teto da meta;
- 3,5% no encerramento de 2026;
- 3,2% no terceiro trimestre de 2027;
- 3,1% no fim de 2027;
- 3,0% no primeiro trimestre de 2028.
A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. O cenário de referência considera as projeções do Boletim Focus antes da última reunião do Copom, incluindo a hipótese de início dos cortes de juros em março, com a Selic recuando para 14,50% e chegando a 12,25% ao final de 2026.
Inflação volta ao intervalo da meta
O relatório também atualizou a comunicação sobre o cumprimento da meta de inflação. Em novembro, o IPCA acumulado em 12 meses voltou ao intervalo de tolerância, ao atingir 4,46%. Ainda assim, o BC manteve o registro de descumprimento, já que houve estouro da meta em parte do período avaliado.
Na nota, a instituição reafirmou o compromisso com a meta contínua de 3% e destacou que o retorno da inflação ao intervalo é uma etapa natural do processo de convergência, reforçando que as decisões de política monetária seguem orientadas para garantir esse objetivo ao longo do horizonte relevante.



