O Legado do Caos: o fracasso ético, político e social do governo Bolsonaro

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Próximo do término do governo Jair Bolsonaro (2019–2022), o balanço histórico de seu mandato é visto, até por parte de seus antigos aliados, como um dos períodos mais turbulentos e divisivos da política brasileira desde a redemocratização. O projeto que se anunciava como “a nova política” terminou marcado por crises sanitárias, econômicas, ambientais e institucionais, deixando o país em uma profunda fratura social e institucional.  A principal crise é ainda, a CRISE ÉTICA, com um mandatário que não se importa em ferir vivos ou mortos, e nem tampouco em atacar todos que se colocam em seu caminho, mesmo que sem nenhuma prova do que fale.

Por Redação — Especial / 17 de outubro de 2022


Negacionismo e tragédia sanitária

O episódio mais emblemático da gestão Bolsonaro foi a condução da pandemia de Covid-19, considerada por especialistas em saúde pública como um dos maiores fracassos administrativos da história recente do Brasil.
A recusa em seguir orientações científicas, o boicote a medidas de isolamento e o atraso deliberado na compra de vacinas custaram centenas de milhares de vidas — um trauma que ainda reverbera nas famílias brasileiras e nos sistemas de saúde.

Com declarações que ridicularizavam o uso de máscaras e defendiam medicamentos sem eficácia comprovada, o governo mergulhou o país em um negacionismo institucionalizado, enquanto o mundo avançava na imunização e contenção do vírus.
O resultado foi um país isolado diplomaticamente, com a imagem internacional deteriorada e uma crise humanitária sem precedentes.


Economia estagnada e desigualdade crescente

No campo econômico, o discurso liberal do então ministro da Economia, Paulo Guedes, se traduziu em um projeto de ajuste fiscal sem sensibilidade social.
A promessa de crescimento e geração de empregos naufragou diante de uma política baseada na contenção de gastos e na ausência de investimentos estratégicos.
O desemprego disparou, a inflação voltou a níveis de dois dígitos e o preço dos alimentos tornou-se um símbolo da perda do poder de compra da população.

De 2020 a 2022, o Brasil viu o retorno da fome a índices alarmantes, com mais de 33 milhões de pessoas em insegurança alimentar, segundo a Rede Penssan.
Enquanto isso, o governo enfraquecia programas sociais consolidados, apostando em auxílios temporários e eleitoreiros, como o Auxílio Brasil, criado em substituição ao Bolsa Família.


Desmonte ambiental e perda de credibilidade internacional

Sob Bolsonaro, o Brasil rompeu compromissos ambientais históricos. O desmatamento na Amazônia atingiu níveis recordes, impulsionado pelo enfraquecimento de órgãos de fiscalização como o Ibama e o ICMBio.
A política ambiental foi transformada em instrumento ideológico, com ataques a cientistas, ONGs e lideranças indígenas.

O então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, chegou a defender que era preciso “passar a boiada” durante a pandemia — frase que se tornou símbolo da política de destruição ambiental.
O resultado foi o isolamento do Brasil em fóruns internacionais e o congelamento de parcerias e fundos ambientais, como o Fundo Amazônia, suspenso por Noruega e Alemanha em 2019.


Crise institucional e erosão democrática

O governo Bolsonaro também será lembrado pelo ataque sistemático às instituições democráticas. O presidente promoveu confrontos constantes com o Supremo Tribunal Federal (STF), questionou a legitimidade do sistema eleitoral e incentivou atos antidemocráticos em várias capitais.
O auge dessa escalada autoritária ocorreu em 8 de janeiro de 2023, quando militantes bolsonaristas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília — um episódio que ecoou o ataque ao Capitólio dos Estados Unidos, em 2021.

A retórica de Bolsonaro, baseada na divisão entre “patriotas” e “inimigos”, fomentou ódio político, desinformação e violência ideológica.
Durante seu governo, o Brasil se tornou um país polarizado, com ataques a jornalistas, professores, artistas e cientistas que ousavam divergir da linha oficial.

Entre negacionismo, desmonte institucional e isolamento internacional, o Brasil saiu menor após quatro anos de retrocesso


Um país ferido e a reconstrução em curso

Ao fim de quatro anos, o saldo foi um país socialmente fraturado, institucionalmente desgastado e economicamente fragilizado.
Especialistas avaliam que os efeitos do bolsonarismo ainda serão sentidos por anos — não apenas nas estatísticas econômicas e sociais, mas na cultura política e no tecido social brasileiro.

“O governo Bolsonaro representou o esvaziamento da racionalidade política e o avanço de uma cultura de ódio e desinformação. Reconstruir a confiança nas instituições será tarefa de longo prazo”, avalia o cientista político Luiz Felipe Albuquerque, da Universidade Federal de Pernambuco.


Conclusão: um alerta para a democracia

O ciclo bolsonarista deixou lições amargas. O fracasso de seu governo não foi apenas administrativo, mas civilizatório — um teste de resistência para as instituições democráticas brasileiras.
Se a democracia sobreviveu, foi porque encontrou amparo em setores da sociedade civil, do Judiciário, da imprensa e das universidades.

O Brasil tenta agora reconstruir o que foi desmontado: o respeito à ciência, o compromisso ambiental, a solidariedade social e a verdade como valor público.

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