O novo presidente interino do Peru, o deputado de direita José Jerí acumula acusações de violência sexual, corrupção e desobediência a autoridade. Escolhido para chefiar o Congresso no biênio 2025/26, ele assumiu nesta sexta-feira (10) temporariamente a presidência até as próximas eleições presidenciais do país no ano que vem, após o impeachment de da mandatária Dina Boluarte, aprovado horas antes.
Um caso de agressão sexual envolvendo o advogado de 38 anos veio à tona em janeiro de 2025. A denunciante relatou que, durante uma reunião social na cidade de Canta, perdeu a consciência após consumir álcool e acordou com dores nas partes íntimas, encontrando uma peça de roupa de José Jerí perto de si.
A vítima identificou Jerí como o agressor, e relembrou tentativas anteriores de cortejo por parte do deputado. Inicialmente, a investigação também incluía Marco Antonio Cardoza Hurtado, empresário e tio de Jerí. Mas o Procurador Geral do Peru, Tomás Gálvez, encerrou a investigação contra o atual presidente interino, alegando insuficiência de provas que o ligassem diretamente ao crime. O caso contra Cardoza Hurtado permanece aberto e foi encaminhado à Promotoria Provincial Criminal de Canta.
Durante seu mandato como Presidente do Congresso, Jerí enfrentou uma investigação por desobediência à autoridade. O Tribunal Cível de Canta ordenou que ele se submetesse a tratamento psicológico por “impulsividade e comportamento sexual patológico” no contexto do caso de abuso sexual.
A ordem judicial estabeleceu a obrigação de comparecer às sessões e seguir as recomendações do especialista. Mas o deputado descumpriu a ordem, levando à abertura de um processo criminal por suposta desobediência, de acordo com o Código Penal Peruano.
Jerí também enfrenta acusações de corrupção relacionadas à sua atuação na Comissão de Orçamento. A empresária Blanca Ríos alegou que, quando presidia a comissão, recebeu oferta de propina de funcionários próximos a ele em troca da inclusão de um projeto em Cajamarca no orçamento do Ministério da Economia e Finanças (MEF).
A acusação foi embasada em gravações de áudio e conversas que supostamente implicam o congressista. Como resposta, Jerí afastou o assessor Nahum Hidalgo de sua equipe e expressou sua disposição em cooperar com a investigação.



