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Por Gabriel Gomes
O jornalista autônomo João Pedro Moura, de 32 anos, foi alvo, nesta quarta-feira (13), de um banimento de seu perfil na rede social Instagram por parte da Meta, dona da plataforma. A medida foi tomada após João compartilhar uma publicação do ICL Notícias sobre a ameaça da oposição de obstruir, na Câmara dos Deputados, a tramitação do projeto contra a adultização nas redes. João é membro do ICL.
Na publicação, João escreveu a frase: “Diga que você é p*d0fil0 sem dizer que vc é p*d0fil0”, em uma crítica aos deputados da extrema direita. A publicação do perfil do ICL Notícias exibia uma imagem do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara.
Publicação do jornalista João Pedro Moura (Foto: Reprodução)
Logo após, João, ao tentar entrar novamente em seu Instagram, percebeu que havia sido ‘deslogado’ da conta e recebeu o aviso de uma suspensão por email. “Fui verificar o que tinha acontecido e notei que eu tinha sido ‘deslogado’ automaticamente. Em seguida, fui olhar meu email e havia a informação de que eu devia tomar alguma medida ou o acesso à minha conta seria perdido”, relatou o jornalista.
Primeira mensagem enviada pela Meta (Foto: Reprodução)
Na mensagem de suspensão da conta, a Meta afirma que o perfil de João não seguia “os padrões da comunidade sobre sexualização de crianças”. A medida abriu a possibilidade de recurso à própria Meta, o que foi feito por João. No mesmo dia, porém, a empresa resolveu banir definitivamente a conta do jornalista, sem a possibilidade de novos recursos.
“Demorou cerca de 40 minutos, uma hora, a decisão já foi tomada, de maneira totalmente arbitrária. Apareceu para mim, logo em seguida, que eles tinham banido a minha conta, minha conta tinha sido desabilitada, que eu não teria mais acesso a ela, que eu não tenho mais recurso e que tudo seria excluído permanentemente”, desabafa João Pedro Moura
“Eles estão me acusando de violar os padrões da comunidade sobre sexualização de crianças, e é justamente ao contrário do que eu estava expondo”, completa.
Banimento da conta (Foto: Reprodução)
João relata, ainda, que era assinante do serviço Meta Verified, que concede um selo azul de verificação à usuários do Instagram mediante a um pagamento. Na propaganda deles, eles dizem que toda pessoa que for assinante vai ter uma opção de suporte personalizado, com chat humanizado, e nada disso foi ofertado para mim”.
Agora, o jornalista pretende acionar a Meta na Justiça. João Pedro também está em contato com o advogado do historiador e youtuber de esquerda Jones Manoel “para saber sobre a possibilidade de entrar em uma ação conjunta com as outras pessoas que também relataram o mesmo ocorrido”. Jones teve as contas do Instagram e Facebook suspensas na última semana pela Meta, mas foram reativadas após a repercussão do caso.
Jornalista utilizava o Instagram para trabalho
Como jornalista autônomo, João Pedro utilizava as redes sociais como uma ferramenta de trabalho, sendo a principal delas justamente o Instagram. O perfil do jornalista na rede acumulava cerca de 11 mil seguidores, com forte engajamento na cidade de Blumenau (SC), onde mora. Com isso, o banimento gerou um grande prejuízo em seu dia a dia.
“Eu tenho um bom engajamento nas minhas redes sociais, com uma influência grande dentro da minha comunidade, eu tenho uma grande influência, assim. Isso me afetou muito, porque é a principal rede social que eu uso para realizar o meu trabalho, para fortalecer o meu networking, ter contato com outras fontes, com pessoas que gostam e divulgam o meu trabalho”, disse João Pedro.
O que diz a Meta?
O ICL Notícias questionou a Meta sobre a derrubada da conta do jornalista João Pedro Moura. A empresa não respondeu até o fechamento da reportagem. O espaço segue aberto.



