Reforma da Previdência deve ser retomada em até 10 anos

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O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou na terça-feira (5) que o Brasil precisará realizar uma nova reforma da Previdência nos próximos dez anos. A declaração foi feita durante o 2º Encontro do Centro de Política Fiscal e Orçamento Público (CPFO), da FGV, no Rio de Janeiro.

Segundo Ceron, mesmo com o recente avanço da reforma tributária, o país precisará “martelar” o debate da Previdência de forma semelhante à trajetória que levou à aprovação da nova legislação sobre impostos. “É um debate difícil em qualquer lugar do mundo, mas necessário”, afirmou o secretário.

Ceron destacou que a atual valorização real do salário mínimo — política defendida pelo governo Lula como forma de reduzir desigualdades — tem impacto significativo sobre os gastos previdenciários, ampliando o déficit do sistema.

Embora reconheça os méritos sociais da valorização do salário mínimo, Ceron alertou que ela aumenta a pressão sobre as contas públicas e, sem ajustes, pode exigir superávits fiscais mais rigorosos para conter o crescimento da dívida pública.

Rombo da Previdência será de 2,58% do PIB este ano

De acordo com dados do projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, o rombo do INSS deve passar de 2,58% do PIB em 2025 (cerca de R$ 328 bilhões) para 11,59% do PIB até 2100, o equivalente a R$ 30,88 trilhões.

O crescimento do déficit da Previdência é impulsionado por mudanças demográficas — menos nascimentos e mais idosos — que reduzem a base de contribuintes e aumentam o número de beneficiários.

Ceron ressaltou que a solução não se limita a ajustes pontuais, como idade mínima, mas exige uma reflexão sobre o modelo de Previdência desejado para o país. “O sistema criado em torno do MEI [Microempreendedor Individual], por exemplo, trouxe uma nova dinâmica que também terá efeitos futuros”, disse.

Especialistas alertam que o atraso em novas reformas tende a aumentar o custo de correção. Para o pesquisador Rogério Nagamine, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ), a reforma de 2019 teve impactos diluídos por mudanças no Congresso, e uma nova rodada deveria ocorrer já em 2027. “Quanto mais você demora, pior fica”, afirmou.





Fonte: ICL

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