Mundo registra protestos após Israel sequestrar barcos rumo a Gaza; Brasil condena ação

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A interceptação de pelo menos 13 barcos que levavam ajuda humanitária para a Faixa de Gaza desencadeou uma série de protestos ao redor do mundo, retaliações diplomáticas e ameaças de greve. As embarcações foram abordadas por forças israelenses a cerca de 120 quilômetros da costa de Gaza, enquanto tentavam romper o bloqueio marítimo do território.

Até o momento, as manifestações foram registradas na Bélgica, Alemanha, Grécia, Itália e Argentina, México, Colômbia e Uruguai. 

Em Bogotá, manifestantes protestaram diante da Associação Nacional de Empresários da Colômbia (ANDI), acusada por um movimento pró-Gaza de manter vínculos econômicos com Israel. Em Buenos Aires, centenas marcharam contra o que chamaram de “ataque das forças de ocupação israelenses” e pediram o fim do genocídio em Gaza. Já em Montevidéu, ativistas defenderam a libertação da Palestina e exibiram cartazes pedindo a prisão do premiê israelense Benjamin Netanyahu.

Em Roma, a imprensa estimou que cerca de 10 mil manifestantes saíram às ruas. Também houve bloqueios de trens em Nápoles e Pisa, além de marchas em Milão, Turim, Gênova e Bolonha. Os atos, marcados por palavras de ordem como “Palestina livre” e pedidos de renúncia da primeira-ministra Giorgia Meloni, tiveram ampla cobertura na mídia. 

Em resposta, dois dos maiores sindicatos italianos convocaram uma greve geral para esta sexta-feira (3). “A agressão contra navios civis que transportavam cidadãos italianos é um assunto extremamente grave”, afirmou a central sindical CGIL (Confederação Geral Italiana do Trabalho, em português), ao convocar a paralisação.

Reações diplomáticas

A interceptação também provocou forte reação internacional. A Turquia classificou a ação israelense como “ato de terror”, enquanto o chanceler da Irlanda definiu a missão como pacífica e voltada a expor a crise humanitária em Gaza. O partido de um senador irlandês que estava a bordo de um dos barcos acusou Israel de “sequestrar” os passageiros.

O presidente colombiano, Gustavo Petro, expulsou todos os diplomatas israelenses que ainda estavam no país e suspendeu os tratados comerciais acordados com Israel. “O tratado de livre comércio com Israel está denunciado imediatamente. Toda a delegação diplomática israelense na Colômbia deve sair [do país]”, escreveu em seu perfil no X. 

Petro também informou que duas cidadãs colombianas estavam a bordo de um dos barcos e foram detidas. “O Ministério das Relações Exteriores deve executar todas as demandas cabíveis, inclusive por meio da Justiça israelense. Convido advogados internacionais a servirem à Colômbia, junto de nossos advogados”, disse Petro. Na semana passada, o presidente já havia criticado a guerra em Gaza em discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou a ação como uma prova da “essência genocida de Israel” e reafirmou a solidariedade aos tripulantes da missão. O Irã denunciou o ataque em águas internacionais como uma “violação flagrante do direito internacional e ato de terrorismo”, pedindo à comunidade internacional medidas urgentes para impedir o genocídio em Gaza.

O governo da Venezuela descreveu a ação como “ato covarde de pirataria”, destacando que a flotilha transportava 5.500 toneladas de ajuda humanitária para palestinos sob fome e extermínio. Na Bolívia, o presidente Luis Arce condenou o ataque como “violência inaceitável” e “afronta à dignidade humana”, acusando o premiê israelense Benjamin Netanyahu de promover uma política de terrorismo de Estado contra civis desarmados.

O Chile também manifestou apoio à flotilha e a seus cidadãos, com o governo atuando para proteger os dois chilenos a bordo. A França exigiu que Israel garanta a segurança dos participantes, seus direitos consulares e seu retorno seguro.

O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim: “Essas embarcações levavam civis desarmados e suprimentos humanitários vitais para Gaza, mas foram recebidas com intimidação e coerção”, disse em suas redes. Entre os voluntários da flotilha estava a cantora Zizi Kirana, que registrou em vídeo a sua prisão pelas forças israelenses. 

A ativista ambiental Greta Thunberg, que também estava a bordo de uma das embarcações, publicou uma mensagem de vídeo em seu perfil no Instagram pouco antes da interceptação: “Meu nome é Greta Thunberg. Estou a bordo do navio Alma. Estamos prestes a ser interceptados por Israel”, disse. 

Reações no Brasil

O Ministério das Relações do Brasil declarou que está em busca de informações sobre os brasileiros que estavam nos barcos interceptados. No entanto, Israel afirmou que disponibilizará informes sobre as pessoas detidas apenas a partir desta sexta-feira (3). Outros 30 barcos ainda seguem rumo à Gaza.

“O governo brasileiro deplora a ação militar israelense, que viola direitos e coloca em risco a integridade física de manifestantes em uma ação pacífica. No contexto dessa operação militar condenável, passa a ser de responsabilidade de Israel a segurança das pessoas detidas”, afirmou a nota oficial do governo federal.

“(O governo) reitera, nesse contexto, exortação pelo levantamento imediato e incondicional de todas as restrições israelenses à entrada e distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza, em consonância com as obrigações de Israel, como potência ocupante, à luz do direito internacional humanitário”, acrescenta. 

Entre os brasileiros detidos, está a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE). O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitou apoio ao Itamaraty na comunicação com Israel. “Pedi o apoio do Itamaraty no contato com as autoridades israelenses visando que a deputada Luizianne tenha todas as suas prerrogativas enquanto parlamentar respeitadas, bem como os direitos dos demais brasileiros que estão passando por esse momento”, declarou o parlamentar.

Além de Lins, também fazem parte da Flotilha os brasileiros Thiago Ávila, membro e organizador da flotilha; Mariana Conti, vereadora de Campinas pelo Psol; Gabi Tolotti, presidente do Psol-RS; Nicolas Calabrese, professor e coordenador da Rede Emancipa no Rio de Janeiro; Bruno Gilga, trabalhador da USP e ativista da CSP-Conlutas; Lisiane Proença, comunicadora popular; Magno Costa, diretor do SINTUSP; Ariadne Telles, advogada popular e militante da luta pela terra na Amazônia; Mansur Peixoto, criador do projeto História Islâmica; Mohamad El Kadri, presidente do Fórum Latino Palestino e coordenador da Frente Palestina de São Paulo; e Lucas Gusmão, ativista internacionalista.



Fonte:Brasil de Fato

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