Juliana Dal Piva e Igor Mello
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a prisão preventiva de Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, sobrinho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Léo Índio é réu por participação na tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro e teve seu julgamento iniciado no STF. Ele teve o passaporte apreendido, mas fugiu para a Argentina. Com a decisão de Moraes, ele se torna foragido. Ele é o primeiro integrante da família Bolsonaro a ter a prisão determinada pelo Judiciário brasileiro.
O sobrinho do ex-presidente Jair Bolsonaro participou da invasão ao Congresso Nacional no domingo 8 de janeiro. No instagram, ele postou imagens no prédio e escreveu: “Focarão no vandalismo certamente. Mas sabemos a verdade. Olhos vermelhos = gás lacrimogêneo”

Léo Índio. Foto: Reprodução/Redes Sociais
Ele é primo de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro e, em 2022, chegou a ser candidato a deputado distrital pelo PL, mas não conseguiu se eleger. Até fugir para a Argentina dias atrás, Leo estava vivendo em Cascavel, no Paraná, e tinha um cargo na Assembleia Legislativa do Paraná.
Após a eleição de Bolsonaro, em 2019, Léo mudou para Brasília e trabalhou como assessor do senador Chico Rodrigues (DEM-RR) até o parlamentar ser flagrado com R$ 30 mil na cueca. Depois, foi funcionário da liderança do PL no Senado.
Antes dos cargos no Senado, Carlos Bolsonaro tentou arrumar um cargo para Léo no Planalto. A ideia era que ele ocupasse algum cargo na Secretaria de Governo da Presidência da República. No entanto, o sobrinho do ex-presidente foi barrado pelo então ministro da pasta, o general da reserva Alberto Santos Cruz.
A coluna apurou que, na ocasião, assessores de Santos Cruz acharam que o currículo de Leo Índio não tinha as qualificações necessárias para o cargo no ministério. Léo não possui ensino superior e sua experiência profissional prévia era como vendedor, além de assessor do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), na época da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio).
Devido ao período em que constou como assessor na Alerj, o sobrinho de Bolsonaro foi incluído pelo Ministério Público do Rio (MP-RJ) entre os investigados do caso de Flávio na rachadinha do gabinete.
Em 2021, reportagem desta colunista com a equipe do portal “Uol” mostrou que Mariana Mota, ex-chefe de gabinete de Flávio, fez pagamentos de despesas locatárias de uma quitinete no centro do Rio, onde Léo morava. O dinheiro provinha da conta de Mariana, no período em que Flávio foi deputado estadual e que Léo constava como seu assessor na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), ao longo de 2007.
Foram cinco pagamentos. Em fevereiro de 2007, Mariana fez uma transferência identificada como “al.leo” para Norival Dantas, que alugava imóvel para Leo Índio. O valor foi de R$ 503. No mês seguinte, repetiu a operação para Dantas, no valor de R$ 460 — dessa vez, anotou “condomin”.
Fonte: ICL Notícias