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Em um dia de agenda econômica esvaziada nos EUA, os mercados mundiais operam em alta, nesta quarta-feira (6), quando passa a vigorar a tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil pelos Estados Unidos.
Os índices futuros de Nova York estão em trajetória positiva, com investidores à espera dos balanços de Disney, Uber e McDonald’s, antes da abertura. Após o fechamento, será a vez de Airbnb, DoorDash e Lyft. O mercado também monitora falas de dirigentes do Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense), incluindo Mary Daly, Susan Collins e Lisa Cook.
Apesar da alta nos futuros, o clima é de cautela após resultados mistos da fabricante de chips AMD e lucro abaixo do esperado da Super Micro, ambos impactados pela crescente concorrência em inteligência artificial (IA) e preocupações com restrições comerciais à China. No setor automotivo, Rivian e Lucid registraram fortes quedas após alertarem para os efeitos negativos do fim do crédito tributário nos EUA para veículos elétricos.
No Brasil, o foco se volta para os efeitos do tarifaço. Segundo estudo da Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), as tarifas de 50% sobre exportações brasileiras — mesmo com isenções — podem reduzir o PIB (Produto Interno Bruto) nacional em R$ 25,8 bilhões. O governo busca negociações setoriais, mas o cenário político, agravado pela prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, adiciona incerteza.
A agenda doméstica traz ainda os dados do fluxo cambial semanal, às 14h30, e da balança comercial de julho, às 15h.
Brasil
A prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada após o fechamento dos mercados na segunda-feira (4), não abalou tanto o mercado financeiro quanto se temia. Na terça-feira (5), o Ibovespa subiu 0,14%, aos 133.151 pontos, enquanto o dólar comercial caiu marginalmente 0,01%, a R$ 5,506.
Já os Dis (juros futuros) ficaram conectados a notícias mais econômicas, como a cautelosa ata da reunião da semana passada do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central.
Embora a tensão política tenha dominado o noticiário — e gerado alertas sobre riscos institucionais e impactos nas relações com os EUA — os investidores preferiram manter uma postura cautelosa, mas não reativa. Analistas monitoram possíveis desdobramentos, principalmente uma eventual retaliação do presidente norte-americano Donald Trump, que já havia citado Bolsonaro como justificativa para o tarifaço imposto ao Brasil. As tarifas de 50% sobre produtos importados do Brasil devem começar a valer a partir desta quarta-feira (6).
Europa
As bolsas europeias avançam hoje, com os investidores ignorando as recentes ameaças tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, e dados econômicos fracos, para focar na nova temporada de balanços corporativos.
STOXX 600: +0,25%
DAX (Alemanha): +0,48%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,19%
CAC 40 (França): +0,47%
FTSE MIB (Itália): +0,43%
Estados Unidos
Os índices futuros de Nova York avançam hoje, após dados divulgados na véspera mostrarem enfraquecimento dos serviços nos EUA em meio à pressão sobre os preços, aumentando a preocupação com os desafios da política monetária conduzida pelo Federal Reserve.
Dow Jones Futuro: +0,42%
S&P 500 Futuro: +0,41%
Nasdaq Futuro: +0,27%
Ásia
As bolsas asiáticas fecharam de forma mista, acompanhando, em partes, as perdas de Wall Street na véspera, com os investidores avaliando dados econômicos mais fracos do que o esperado, enquanto assimilavam as novas ameaças tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump.
Shanghai SE (China), +0,45%
Nikkei (Japão): +0,60%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,03%
Nifty 50 (Índia): -0,17%
ASX 200 (Austrália): +0,84%
Petróleo
Os preços do petróleo sobem nesta quarta, recuperando-se da mínima de cinco semanas do dia anterior, devido a preocupações com interrupções no fornecimento após as ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor novas tarifas a parceiros comerciais.
Petróleo WTI, +1,20%, a US$ 65,94 o barril
Petróleo Brent, +1,17%, a US$ 68,42 o barril
Agenda
Nos EUA, a agenda está focada em dados corporativos e em discursos de membros do Fed (Federal Reserve, o banco central estadunidense).
Por aqui, no Brasil, um ano após a criação da “taxa das blusinhas”, as importações de pequeno valor caíram 13,6%, atingindo o menor nível desde 2021, segundo dados do Banco Central compilados pela Folha de S.Paulo. A taxação de 20% sobre itens de até US$ 50 reduziu a demanda, especialmente entre as classes C, D e E. Enquanto isso, varejistas nacionais viram as vendas crescerem, e plataformas como Shopee passaram a priorizar vendedores locais.
*Com informações do InfoMoney e Bloomberg



