‘Lugar de mulher é em casa’, disse tenente-coronel à esposa em mensagens

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(Folhapress) – Mensagens extraídas do celular do tenente-coronel da PM Geraldo Neto revelam episódios de ofensas e humilhações praticadas por ele contra a esposa, a soldado Gisele Alves, morta com um tiro na cabeça. Ele foi preso hoje, suspeito de feminicídio, violência doméstica e fraude processual.

Trecho da decisão que determinou prisão cita ainda “controle e ameaça de subjugação, inclusive episódio de agressão física (‘enfiado a mão’)” dias antes da morte de Gisele. Uma das mensagens do tenente-coronel para a esposa, cujo conteúdo a TV Globo teve acesso, tem teor machista.

“Lugar de mulher é em casa, cuidando do marido. E não na rua, caçando assunto. Rua é lugar de mulher solteira à procura de macho”, disse mensagem de Geraldo para Gisele.

A PM diz ter sido chamada de “burra” pelo marido. Ela afirma que ele deveria mudar o comportamento “estúpido” e “sem escrúpulos”, caso quisesse seguir com o relacionamento.

“Não dá para entender. Você pediu para eu não ir embora. Eu fico e você continua igual, até pior, com seu tratamento. Falando coisas para me humilhar, para me provocar”, disse mensagem de Gisele para Geraldo.

“Se você quer separar, vamos separar. Mas, se você continuar, vai ter que mudar seu comportamento estúpido, ignorante, intolerante e sem escrúpulos. Estou deixando bem claro para você que não vou aguentar muito tempo esse comportamento babaca. Toda hora jogando piada, me chamando de burra, mandando arrumar um soldado. O que a função tem a ver com relacionamentos?”, disse mensagem de Gisele para Geraldo.

Colegas de trabalho da vítima também descreveram o tenente-coronel como “ciumento, controlador e invasivo”. O inquérito cita visitas ao local de trabalho da esposa, mesmo sem atribuição para tal, com base em sua “ascendência hierárquica”.

“As mensagens extraídas do celular do investigado revelaram ofensas, humilhações, controle e ameaça de subjugação, inclusive episódio de agressão física (“enfiado a mão”) dias antes dos fatos aqui analisados (05/02/2026)”, disse trecho da investigação, citado em decisão da Justiça Militar.

PM foi mobilizado por trás e baleada

A perícia concluiu que Gisele foi segurada pelo rosto e baleada. O agressor teria usado a mão esquerda para imobilizá-la, enquanto direcionava a arma -uma pistola Glock calibre .40 pertencente ao oficial – contra a têmpora direita de Gisele. O trajeto do projétil foi ascendente e da direita para a esquerda.

Ministério Público se manifestou a favor do pedido de prisão do tenente-coronel. A Justiça Militar, determinou a prisão. “Em manifestação desta terça, os promotores Giovana Ortolano Guerreiro, Marcel Del Bianco Cestaro e Vanessa Damasceno consideraram a presença de requisitos legais e fundamentos fáticos amparando o requerimento de prisão feito pela Polícia Judiciária Militar”.

O laudo de reprodução simulada apontou a impossibilidade técnica de a vítima ter se matado.

Além disso, padrões de sangue encontrados no local entre 1,70 m e 1,80 m de altura foram considerados incompatíveis com a tese de suicídio seguida de queda. “A reprodução simulada indicou que o tiro teria sido realizado pelas costas, possivelmente de forma súbita e inesperada, o que teria inviabilizado qualquer chance de defesa por parte da vítima.”

O advogado Eugênio Malavasi, defensor do tenente-coronel, diz que não há fundamentação para a decretação da prisão do cliente. “A prisão é manifestação ilegal, pois, sem entrar no mérito, a Justiça Militar não é competente para determinar medidas invasivas, pois a competência é da Justiça Comum”.

Em caso de violência, denuncie!

Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.

O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.

Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.

Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).

Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.





ICL Notícias

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