Em carta direcionada ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, que pichou “perdeu, mané” na estátua “A Justiça” durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, pediu perdão. O depoimento se tornou público, na última quarta-feira (26), por decisão de Moraes.
No depoimento, Débora afirma que não sabia a gravidade do que estava fazendo e é uma “cidadã do bem”. “Não sei ao certo como dirigir as palavras a alguém de cargo tão importante”, diz ao ministro Alexandre de Moraes.
“Fui a Brasília, pois acreditava que aconteceria uma manifestação pacífica e sem transtornos, porém aos poucos fui percebendo que o movimento foi ficando acalorado”, disse Débora.
TRISTE DEMAIS 😔!
Débora, a moça que é mãe de 2 menininhos e que pichou com batom💄a estátua do 5TF, participando dos “atos de 8 de Janeiro”, disse que não invadiu os prédios e que foi levada pelo calor do momento a fazer a expressão “Perdeu, Mane”, dita pelo ministro do 5TF,… pic.twitter.com/q8iAJgUVgA
— Ricardo Sérvulo (@RicardoServulo) March 27, 2025
‘Ato desprezível’, diz Débora
Débora Rodrigues diz, no depoimento, que não acessou o interior dos órgãos depredados naquele dia e que “repudia o vandalismo”. Ela classifica a pichação da estátua como um “ato desprezível” e que “não foi premeditado”.
A cabeleireira diz, ainda, que apenas escreveu a frase a pedido de alguém. “Ele começou a escrever e ele falou assim: ‘Eu tenho uma letra muito feia, moça. Você pode me ajudar a escrever?’. E aí eu continuei fazendo a escrita da frase dita pelo ministro Barroso e eu de fato não sabia, eu não adentrei em nenhum dos prédios do STF, nem do Congresso, nem da Casa do Planalto, em nenhum dos lugares. Eu só fiquei naquela praça”.
Julgamento da cabeleireira no STF
O julgamento de Débora no STF foi paralisado, no início da semana, após pedido de vista do ministro Luiz Fux. Ela teve o voto pela condenação a 14 anos de prisão dado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Até o momento, o placar é de 2 votos a 0 pela condenação.

Juristas ouvidos pelo ICL Notícias não veem irregularidades na pena estabelecida pelo ministro Alexandre de Moraes. (Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil)
O voto de Moraes, acompanhado até o momento pelo ministro Flávio Dino, aponta para a condenação de Débora por cinco crimes: abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada.
Juristas ouvidos pelo ICL Notícias não veem irregularidades e desproporcionalidade na pena estabelecida pelo ministro-relator do caso, Alexandre de Moraes.
Fonte: ICL Notícias