Economia da China mantém rumo para atingir meta

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A China reafirmou nesta segunda-feira (20) que sua economia segue firme no caminho para alcançar a meta de expansão de cerca de 5% neste ano. O comunicado veio após a divulgação de dados que apontaram o crescimento mais lento em um ano, mas sustentado pelo bom desempenho das exportações, que compensaram a fraqueza em outros setores.

De acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (ONE), o Produto Interno Bruto (PIB) chinês avançou 4,8% no terceiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior, superando ligeiramente as projeções de economistas e consolidando uma “base sólida” para atingir a meta anual. O resultado, contudo, ficou abaixo dos 5,2% registrados entre abril e junho.

Produção industrial da China em alta e varejo mais fraco

A produção industrial foi um dos principais motores do crescimento, com alta de 6,5% em setembro, superando as estimativas da Bloomberg, que apontavam para 5%. Em contrapartida, o varejo cresceu apenas 3%, ritmo mais baixo desde novembro, refletindo a dificuldade de recuperação do consumo interno.

Segundo o ONE, “a economia nacional resistiu às pressões e manteve um progresso estável”, mesmo diante de desafios externos e da desaceleração do mercado imobiliário.

Os novos dados chegam em uma semana decisiva para Pequim, marcada pela realização do quarto plenário do Partido Comunista, que discutirá as diretrizes do 15º Plano Quinquenal, voltado ao desenvolvimento econômico dos próximos cinco anos.

As discussões acontecem em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, deve se reunir na Malásia com o vice-primeiro-ministro He Lifeng para preparar o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para o fim do mês. Entre os temas na pauta estão terras-raras, fentanil e soja.

Com o avanço de 5,2% no acumulado dos três primeiros trimestres, especialistas avaliam que não há urgência por novas medidas de estímulo. Para o economista Ding Shuang, do Standard Chartered, o governo pode adiar cortes nas taxas de juros, mantendo o foco em reduzir desequilíbrios entre oferta e demanda.

Já os analistas da Bloomberg Economics, Chang Shu e David Qu, destacam que as autoridades chinesas devem priorizar ajustes estruturais durante o plenário, em vez de ampliar pacotes de estímulo de curto prazo.

Mercado reage positivamente

Os mercados acionário chineses reagiram bem à divulgação dos dados. O índice CSI 300 subiu até 1,3%, enquanto um índice de ações chinesas em Hong Kong avançava 2,5% ao meio-dia, impulsionado também por sinais de redução nas tensões comerciais vindos de Trump.

Apesar do impulso nas exportações e da melhora industrial, a economia chinesa ainda enfrenta riscos significativos. A deflação prolongada, a concorrência acirrada e o setor imobiliário em retração continuam pressionando os lucros das empresas e a confiança dos consumidores.

O investimento em ativos fixos caiu pela primeira vez desde 2020, puxado pela crise no setor de imóveis. O gasto em infraestrutura cresceu apenas 1,1% nos três primeiros trimestres, menor avanço desde 2020, enquanto o investimento em manufatura desacelerou de quase 10% no início do ano para 4%.

Para conter a fragilidade fiscal, o Ministério das Finanças autorizou as províncias a usar 500 bilhões de yuans (US$ 70 bilhões) em cotas de títulos não utilizadas, com o objetivo de reduzir dívidas e estimular investimentos locais. Segundo Jacqueline Rong, economista-chefe do BNP Paribas, essa medida pode favorecer uma retomada da infraestrutura no quarto trimestre.

Perspectivas

O PIB nominal — que não considera a variação dos preços — cresceu apenas 3,7% no terceiro trimestre, marcando a décima queda consecutiva do deflator do PIB, o que indica deflação persistente.

Mesmo assim, o governo reafirmou que seguirá com políticas macroeconômicas mais proativas, voltadas à estabilidade do emprego, das empresas e dos mercados, além de estimular um crescimento de alta qualidade e sustentável.

As decisões finais do plenário devem ser conhecidas até quinta-feira, mas analistas esperam que o presidente Xi Jinping dê mais ênfase ao consumo interno, como parte da estratégia de reequilíbrio econômico após a reeleição de Donald Trump nos EUA.

Enquanto isso, o mundo acompanha de perto cada movimento da segunda maior economia global, que segue tentando equilibrar crescimento, estabilidade e reformas estruturais em meio a um cenário internacional cada vez mais desafiador.





Fonte: ICL

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