Circuito Culinária da Terra encerra primeira edição com celebração e planos de expansão

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O Circuito Cultural Culinária da Terra encerrou, no último domingo (28/09), a sua primeira edição celebrando o sucesso da iniciativa que aproximou a agricultura familiar e a produção agroecológica dos assentamentos da reforma agrária ao universo dos bares e da gastronomia urbana do Rio de Janeiro.

A programação de encerramento contou com dois eventos especiais: a Roda de Viola no Bar Capiau e a Roda de Samba no Baródromo, que reuniram o público em torno da cultura popular e da culinária camponesa. Participaram da celebração a deputada Marina do MST, a vereadora Maíra do MST e a ministra da Igualdade Racial Anielle Franco.

Durante todo o mês, o circuito promoveu uma conexão inédita entre campo e cidade, valorizando o trabalho de produtores rurais e destacando a diversidade e a potência dos alimentos cultivados nos assentamentos do MST. O resultado foi uma programação que movimentou a cena gastronômica carioca e apresentou ao público novos sabores, saberes e experiências.

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Para a deputada Marina do MST, o circuito cumpriu seu objetivo ao unir a produção do campo à cultura e à boemia urbana. “Foi um sucesso, foi maravilhoso estar nos botecos nesses dias encontrando tanta gente experimentando as delícias que os bares prepararam com tanto carinho para isso, sobretudo conhecendo, se deliciando com os produtos que é a cultura do campo, daquilo que é produzido na agricultura familiar, nos assentamentos da reforma agrária, aqui com a cultura da cidade, com a cultura da boemia do Rio de Janeiro. E estamos muito animados para repetir essa iniciativa, ampliando para mais bares e cidades, como Niterói e a Baixada Fluminense”, afirmou.

A dirigente estadual do MST Eró Silva também projetou os próximos passos da iniciativa. “A comunidade se empolga com a culinária da terra e com os produtos vindos da reforma agrária. O MST está muito feliz e já planejamos uma segunda edição ainda maior. No ano que vem, teremos muito mais petiscos, muito mais alimentos e muito mais agroecologia nas cidades do Rio de Janeiro, consolidando uma nova agenda social e culinária da terra”, declarou. 

A vereadora Maíra do MST destacou que a primeira edição do circuito foi apenas o início de uma experiência transformadora. “Foi só uma amostra de que é possível para os trabalhadores da cidade conhecerem e participarem da cultura do campo e, sobretudo, conhecerem e experimentarem as delícias que são produzidas pela reforma agrária do nosso estado”, disse.

Deputada Marina do MST, vereadora Maíra do MST, chef do Bar Capiau Diego Melão e a ministra Anielle Franco

Agroecologia vira sucesso de público 

Entre os estabelecimentos participantes, esteve o Baixela, em Copacabana. O bar celebra a gastronomia popular misturando criatividade e tradição em um ambiente acolhedor e descontraído. 

No circuito, apresentou o petisco Tropeiro Camponês, que combinou feijão vermelho, couve e farinha produzidos nos assentamentos, além de barriga de porco e linguiça compradas diretamente de um pequeno agricultor. Os ovos utilizados também foram orgânicos, reforçando o compromisso com a produção sustentável e de base familiar.

João de Holanda, responsável pelo Baixela, destacou a recepção positiva do público e estuda manter o prato no cardápio. “A aceitação do público foi excelente, tivemos muitas saídas! A gente já esperava que ia ser um sucesso, mas foi fora do comum”, declarou. 

Outro participante foi o Capiau Botequim, localizado no Beco das Sardinhas, no Centro do Rio. Reconhecido como o único botequim carioca com fogão a lenha, o Capiau celebra a cozinha da roça no antigo bairro da Villa Verde, com um cardápio assinado pelo chef torresmeiro Diego Melão, especialista em cozinha de sítio. 

No circuito, o bar apresentou o petisco Arroz com carne de porco no aralho, um prato preparado com carne de porco, alho, abóbora, cebola, limão, gengibre, moela, pimenta de cheiro, couve, moranga, cebolinha e coentro. 

“Foi muito legal ter essa conexão junto a agricultura familiar aqui do Rio de Janeiro, porque é uma coisa que está na identidade do Capiau, que é o único botequim do Rio que tem um fogão a lenha e contempla a cozinha caipira como carro-chefe do nosso cardápio. Os insumos escolhidos em parceria com o pessoal do assentamento foram o feijão de corda, que impressionou muito pelo sabor, frescor e qualidade, além da cebola, cenoura, salsão e alho nirá usados no refogado”, afirmou o chefe Diego Melão.

Fortalecimento da cultura popular

A programação de encerramento também destacou a dimensão cultural do circuito, com apresentações artísticas que dialogaram com o legado camponês e popular. Uma das participações foi a da atriz e violeira Karol Schittini, que levou ao público a sonoridade da viola caipira, instrumento fundamental na formação da identidade musical brasileira, e ressaltou a importância de manter vivas as tradições populares ao lado de novos olhares contemporâneos.

“O MST não é só a agricultura, ele vem carregado de significados que incluem outros valores. Não é só a comida limpa. Tem a ver com tradições, com comportamento e também com o olhar atento para o contemporâneo, essa intersecção entre o antigo e os jovens que estão chegando. A viola faz parte de um universo masculino, e agora, nos últimos dez anos, temos as mulheres violeiras. A música ajuda a manter viva essa consciência e a fortalecer o que somos”, afirmou.

A confraternização final com os bares participantes será realizada no dia 13 de outubro, no Armazém do Campo RJ, com entrega de moções de reconhecimento, lançamento da cerveja do Armazém e um cardápio especial assinado pela chef Bia. O balanço público do Circuito será divulgado na próxima semana, reunindo dados sobre os resultados alcançados, como o número de petiscos criados, alimentos da reforma agrária utilizados e o público impactado.



Fonte:Brasil de Fato

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