O jornalista e comentarista do ICL Notícias, Luís Costa Pinto, o Lula, dimensionou o impacto da intervenção do Banco Central no Banco Master e a origem do problema. “O Banco Master está sob investigação do Banco Central e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) desde o ano passado, quando ficou claro que ele não tinha lastro para manter as operações financeiras de, por exemplo, negociações de CDBs, que pagavam até 150% do CDI [Certificado de Depósito Interbancário] numa rentabilidade pouquíssimo usual no mercado”, disse, durante participação no ICL Notícias 1ª edição desta terça-feira (18).
O jornalista descreveu o Banco Master como um hub de investidores que prosperou entre os governos de Michel Temer (2016-2018) e Jair Bolsonaro (2019-2022) e que, ao enfrentar a crise, mobilizou sua rede de contatos para pressionar o FGC (Fundo Garantidor de Crédito). O pânico por um possível “risco sistêmico” levou o controlador, Daniel Vorcaro, a Brasília.
A manobra para evitar a liquidação foi clara: vender o Master ao BRB (Banco Regional de Brasília), um banco estatal do Distrito Federal.
“Essa turma resolveu criar uma situação mirabolante que foi vender o Banco Master para o BRB, que é um banco regional de Brasília, um banco estatal menor que o Banco Master.”
A chave da operação foi a articulação política, que envolveu figuras de grande peso no cenário nacional:
“O Daniel Vorcaro, que é o controlador do Banco Master, foi levado para esse centro da política no Distrito Federal pela ‘trinca’ — quem mais senão eles? Ciro Nogueira [presidente do PP], Antônio Rueda [presidente do União Brasil] e Arthur Lira [deputado federal pelo PP-AL].”
A “trinca” usou suas relações com o governador do DF, Ibaneis Rocha, controlador final do BRB, para tentar aprovar a compra dos ativos do Master.
“Eles tentavam então executar essa operação em que um banco estatal menor comprasse os ativos do Banco Master com dinheiro da viúva, com o nosso dinheiro.”
Consequências do caso Banco Master e os porões do mercado
A liquidação extrajudicial do Master é a conclusão do processo, obrigando o afastamento de seus controladores.
“A liquidação extrajudicial obriga o afastamento de Vorcaro e de Augusto Lima, que está preso. Lima é marido da Flávia Arruda, que foi ministra da Articulação Política do Bolsonaro, e seria o elo de conexão com o mercado financeiro”, disse.
O jornalista também destacou o afastamento do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que inicialmente resistiu à operação, mas foi convencido politicamente.
“No início dessa incorporação política da operação de compra do master pelo BRB o Paulo Costa resistia à operação pelas fragilidades técnicas, mas ele foi convencido politicamente a aceitar a operação.”
Buscas e apreensões foram cumpridas na sede do BRB e Costa, que está nos EUA, regressará “já monitorado pela Polícia Federal”.
Segundo Costa Pinto, o caso é um espelho da interferência política no mercado financeiro, onde a influência de grandes figuras públicas é mobilizada em tentativas desesperadas de evitar o colapso de instituições com problemas de lastro.
Fundos e governos do Centrão
O comentarista do ICL Notícias lembrou que o Banco Master também se financiava buscando dinheiro em fundos de previdência, em fundos sociais, estatais. “Por exemplo, o Rio Previdência, que tem aplicados no Banco Master R$ 2,6 bilhões somente em CDBs superfaturados a 150%. São R$ 970 milhões da Rio Previdência, que, em última instância, é administrada pelo governo Cláudio Castro [do PL de Bolsonaro]”, disse.
Ele ainda lembrou que o Master mantém aplicações do Fundo Amazonas, também do Centrão, o Maceió Previdência, cujo “prefeito Paulo Henrique é ligadíssimo ao Arthur Lira”, além de recursos de prefeituras como São Roque (Marcos Augusto Issa, do PSD) e Cajamar (Kauãn Berto Sousa, também do PSD). O presidente do PSD, Gilberto Kassab é ligadíssimo ao Centrão.
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