A liquidação extrajudicial do Banco Master não representa risco sistêmico para o Sistema Financeiro Nacional (SFN), concluiu o Banco Central após a mais recente reunião do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira). A ata da reunião foi divulgada nesta quarta-feira (26).
O colegiado, que se reúne trimestralmente para avaliar a solidez do mercado, analisou a situação do conglomerado Master — que inclui o Banco Master S.A., o Banco Master de Investimento, o Letsbank e a Master Corretora — e reforçou que sua participação no sistema é pequena, com apenas 0,57% dos ativos totais e 0,55% das captações.
O BC destacou que o conglomerado é classificado como de pequeno porte, com atuação diversificada em crédito e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, o que contribuiu para a avaliação de que a liquidação não afeta a estabilidade do sistema.
Além disso, o Banco Master Múltiplo segue sob Raet (Regime de Administração Especial Temporária), mecanismo que busca preservar o funcionamento das operações enquanto perduram as apurações.
Paralelamente à análise do caso Master, o Comef chamou atenção para outros pontos sensíveis do SFN. Entre eles, os riscos cibernéticos, que vêm crescendo com a maior dependência de serviços de tecnologia prestados por terceiros. O BC alerta que muitas instituições utilizam sistemas sem avaliação adequada de risco ou monitoramento operacional contínuo, o que amplia vulnerabilidades no setor.
Comportamento do crédito no país
O comitê também analisou o comportamento do crédito no país. Embora o ritmo de expansão esteja desacelerando, ele permanece elevado em comparação histórica — movimento que ocorre em meio a juros ainda contracionistas e ao alto endividamento de famílias e empresas.
O estoque de crédito do sistema financeiro cresceu 0,9% em outubro. O avanço foi de 0,3% no crédito às pessoas jurídicas, que atingiu R$ 2,6 trilhões, e de 1,3% para as pessoas físicas, a R$ 4,3 trilhões.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o ritmo de crescimento do crédito observado no mês anterior se manteve, com crescimento de 10,2% em doze meses, aponta o documento estatísticas monetárias e de crédito.
Porém, a inadimplência segue pressionando especialmente micro, pequenas e médias companhias, enquanto o comprometimento de renda das famílias continua aumentando, puxado pelos custos do crédito e pela maior presença de modalidades mais caras.
No mercado de capitais, o Comef observa desaceleração das emissões, mas ainda em nível elevado.
Os fundos de crédito privado podem enfrentar pressões caso spreads se abram e afetem a rentabilidade, embora mantenham liquidez adequada. Já os testes de estresse realizados pelo BC indicam que o sistema permanece resiliente e capitalizado, capaz de absorver choques severos.
Apesar da desaceleração, o BC reforça que o crescimento do crédito segue em ritmo alto e requer vigilância adicional, diante da combinação de endividamento elevado, juros altos e maior exposição a operações de risco para famílias e pequenas empresas.



