A fala mansa que é característica do senador Ciro Nogueira (PP-PI) faz parecer que ele é uma pessoa ponderada, sensata. Basta acompanhar seus últimos movimentos para confirmar o clichê: as aparências enganam. Nogueira tem usado sua voz de veludo para servir à parceria explosiva de políticos do Centrão com os tubarões da Faria Lima. O objetivo é atacar o governo, espalhar a narrativa de que o desgaste de Lula não tem volta e que o petista vai chegar sem forças às eleições do ano que vem.
Para desespero dessa turma, não é o que mostra a pesquisa Quaest que o ICL Notícias publica nesta quinta-feira (3). Segundo o levantamento, o petista venceria todos os concorrentes, se a eleição fosse hoje.
Mas nem Ciro Nogueira nem os farialimers estão preocupados com a verdade. Querem apenas garantir seus privilégios.
Foi o que se confirmou no evento fechado realizado na segunda-feira (31), em que o senador conversou com investidores. No áudio a que o ICL Notícias teve acesso, Nogueira decreta desgaste “irreversível” do governo, simula cordialidade ao falar de Fernando Haddad, mas pontua: “Não é nenhum grande ministro”.
Quem diz isso é o homem que integrou o governo liderado pelo desastroso ministro da Economia Paulo Guedes, aquele que deixou um calote monumental nos precatórios para o governo atual pagar, propôs realizar programas sociais com restos de comida e manteve a inflação em mais que o dobro do teto previsto, entre outras bandalhas.
No papo com a turma da Faria Lima, o político piauiense fez pose de estadista, dizendo que até 2026 o seu partido vai garantir uma transição que não torne o país “insolvente”. Como se o PP não fosse a principal legenda do Centrão a extorquir o Executivo para sugar R$ 50 bilhões em emendas, boa parte sem nenhuma transparência (aberração instituida no governo que ele integrava).
Passando-se por generoso, disse que um impeachment seria traumático para o país, já que Lula tem 30% de apoiadores fiéis, ao contrário de Dilma Rousseff, que tinha 7%, e apresenta seu partido como garantidor da “governabilidade”.
Nogueira tratou a proposta do governo de tirar do Imposto de Renda aqueles que ganham até R$ 5 mil como mero gesto oportunista para subir nas pesquisas que medem a aprovação da população. Fala o que quer ouvir a plateia, formada por gente que ganha “acima dos R$ 50 mil”, como admitiu a interlocutora.
Prometeu mudanças, que nesta quinta-feira foram anunciadas pelo seu correligionário Arthur Lira: o PP está defendendo elevar de R$ 50 mil para R$ 150 mil a renda mensal dos contribuintes que terão uma cobrança maior do IR.
Enquanto afaga os abastados farialimers, o senador critica os gastos com o BPC, justamente o benefício destinado à população mais fragilizada socialmente.
Quanto às eleições presidenciais, acredita que em 2026 chega na frente uma candidatura Tarcísio de Freitas com o apoio de Bolsonaro, inelegível, que, segundo ele, venceria até no Nordeste. “Vai ser o candidato do Lula contra o candidato do Bolsonaro. E se for o Tarcísio, a eleição já acabou”, vaticinou.
Que ninguém faça a Mega Sena baseado em seus palpites: na última eleição apostou em Bolsonaro. Como se sabe, perdeu.
Mas não é só.
Além de tentar desgastar o governo, atuar como Robin Hood às avessas e apostar no bolsonarista Tarcisio, o senador também tem feito campanha para que os golpistas do 8/1 tenham anistia.
Nenhuma surpresa. Afinal, ele foi colega dos mentores do plano de tentativa de golpe de Estado, nos anos em que foi ministro de Bolsonaro. Não se tem notícia que tenha feito nada para impedi-los.
Seja na defesa de privilégios dos mais ricos, no desfalque que o Centrão aplica no Orçamento ou na defesa do perdão aos agressores das instituções republicanas, nada em Ciro Nogueira combina com o democrata pelo qual ele se passa.
Fonte: ICL Notícias