A Revista Liberta, publicação do ICL Notícias, foi alvo de um ataque cibernético e de um esquema de remoção fraudulenta de conteúdo após publicar uma reportagem sobre o Caso Master. A denúncia foi feita pelo diretor de Jornalismo do ICL Notícias, Leandro Demori, durante o programa ICL Notícias – 1ª Edição, exibido nesta segunda-feira (22).
A revista recebeu no último fim de semana uma notificação que alegava violação de direitos autorais. O pedido partiu de um site chamado Global Verse News, que acusava a Liberta de reproduzir uma reportagem originalmente publicada por ele. A denúncia foi feita com base na DMCA (Digital Millennium Copyright Act), legislação norte-americana utilizada para a proteção de direitos autorais na internet.
A acusação levou o provedor responsável pela hospedagem da revista a adotar medidas imediatas. Diante do risco de que todo o portal fosse retirado do ar, a equipe do ICL Notícias decidiu remover a reportagem questionada. Ainda assim, o site chegou a sofrer instabilidades e ficou temporariamente indisponível.
Após analisar o caso, o ICL concluiu que havia fortes indícios de fraude. A investigação apontou que a reportagem da Revista Liberta foi publicada em 30 de maio deste ano, enquanto a versão exibida pelo Global Verse News apareceu apenas em 9 de junho. Apesar disso, o site estrangeiro alegou ser o autor original do conteúdo.
“O site da revista chegou a ser derrubado porque o servidor ficou com receio de sofrer punições. A gente foi forçado a deletar a notícia. Ela não existe mais. Agora teremos de encontrar uma forma de republicá-la sem correr o risco de derrubar novamente todo o site, afirmou Demori.
Como explicou o jornalista, o Global Verse News apresenta características incomuns para um veículo de comunicação. O portal não informa endereço, redação, diretor responsável ou dados empresariais. Além disso, o registro do domínio teria sido feito por meio de um serviço destinado a ocultar a identidade dos proprietários. Todas as reportagens do site aparecem assinadas por uma única pessoa, identificada como “Abrar Hossain Ayan”.
Entenda o caso
Um dos elementos que chamou a atenção da equipe do ICL Notícias foi a existência, no portal, de uma reportagem em português intitulada “Pânico na Faria Lima em razão da incerteza sobre novos alvos da PF”. O texto reproduz informações da matéria da Revista Liberta intitulada “Operação Fluxo Oculto espalha temor na Faria Lima”. Mesmo tendo publicado posteriormente o conteúdo, o site incluiu um aviso reivindicando direitos autorais sobre a reportagem.
Para Demori, há indícios de que o portal tenha sido criado especificamente para operações de gestão de reputação online. Segundo ele, o método consistiria em copiar reportagens publicadas por terceiros, alterar datas de publicação e posteriormente apresentar denúncias de violação de direitos autorais para forçar a remoção do conteúdo original.
“Eles encontraram uma maneira de remover conteúdo sem precisar recorrer à Justiça. É uma engenharia sofisticada. Usam justamente a área mais sensível para os provedores, que é a propriedade intelectual”, afirmou.
Outros casos
Durante o programa, Demori disse ter identificado ao menos outros nove casos em que o Global Verse News teria utilizado o mesmo mecanismo contra diferentes publicações. Segundo ele, algumas matérias publicadas no portal aparecem com datas anteriores à própria criação do site, ocorrida no fim do ano passado.
“Tem um detalhe: o site foi criado no final do ano passado. Mas, eles chegram a publicar no site eles falseando as datas notícias de 2019, por exemplo. O site nem existia”.

A investigação também encontrou outra reportagem em português reproduzida pelo Global Verse News, originalmente publicada pelo InvestNews. Tanto essa matéria quanto a reportagem da Revista Liberta mencionam a gestora de investimentos Latache Capital.
Demori ressaltou que não faz qualquer acusação contra a empresa e que todas as informações citadas são públicas. “Não estou acusando a Latache de nada, mas essas informações são públicas”, disse Demori.
“Claramente é um site criado para gestão de reputação. Os caras criaram o site, o cliente entra em contato para sumir com um link que fala mal dele na internet. Eles publicam a notícia nesse site, falseam a data origianl de publicação e entram em contato com servidores para derrubar a notícia”, explicou Demori.




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