‘Frequentemente negligenciado’ e em ‘ruínas’, Minas Gerais

0
1


A revista britânica The Economist classificou a situação financeira do estado de Minas Gerais como em “ruínas” e avaliou que a próxima gestão estadual terá o desafio de “cortar gastos drasticamente”.

O texto, divulgado nesta semana, apresenta Minas como uma espécie de retrato do Brasil, mas chama atenção para problemas fiscais, de infraestrutura e para as perspectivas políticas do estado.

Na análise da publicação, MG ocupa uma posição estratégica no cenário nacional e tem histórico de influência nas disputas presidenciais desde a redemocratização. “Minas Gerais, o segundo estado mais populoso do Brasil, entre os 27 existentes, é frequentemente negligenciado. Não deveria ser. A geografia e a composição étnica de Minas Gerais, como o estado é conhecido, são um reflexo fiel do país”, afirma a reportagem.

Ao abordar as contas públicas mineiras, a revista atribui a deterioração fiscal ao “efeito cumulativo do não provisionamento de pensões” e ressalta que “os juros deixam pouca margem para gastos discricionários”.

O texto também faz críticas às condições das rodovias estaduais e à dependência da exportação de matérias-primas produzidas em Minas, como minério de ferro, nióbio e grafite, sem maior agregação de valor.

A matéria ainda relaciona a situação do estado ao quadro fiscal brasileiro. Citando projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), a The Economist observa que a dívida pública bruta do país poderá alcançar 107% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2031. Segundo a revista, “retornos atraentes fazem com que os brasileiros prefiram manter seu dinheiro em contas poupança em vez de investi-lo produtivamente em maquinário, pesquisa e desenvolvimento ou infraestrutura”.

No campo político, o The Economist destaca o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais, estado onde venceu todas as eleições presidenciais em que foi eleito.

Ao mesmo tempo, afirma que esse capital político não foi transferido para o PT mineiro. “Lula tem 80 anos. A direita provavelmente prosperará em Minas Gerais depois que ele deixar a política, enquanto o PT enfrentará dificuldades”, diz o texto, que também menciona o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) como um dos nomes em evidência na política estadual.

Em resposta às críticas, o governo de Minas Gerais lançou uma nota correlacionando o desequilíbrio das contas públicas ao cenário herdado da gestão de Fernando Pimentel (PT) e afirmou que, desde 2019, promove um processo de reorganização fiscal.

O executivo mineiro sustentou que o estado saiu de uma situação de “colapso fiscal” para um quadro de “equilíbrio e retomada da capacidade de investimento”, destacando a regularização do pagamento de servidores e dos repasses aos municípios, a atração de mais de R$ 500 bilhões em investimentos privados e a geração de mais de 1 milhão de empregos formais, segundo eles.

O governo também afirmou que houve melhora nos indicadores da Lei de Responsabilidade Fiscal e ressaltou que a adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) oferece condições mais sustentáveis para administrar o passivo com a União.

Segundo a nota, a atual gestão permanece comprometida com “a responsabilidade fiscal, a atração de investimentos, a melhoria do ambiente de negócios e a manutenção da capacidade do Estado de investir e prestar serviços de qualidade à população”.





ICL Notícias

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui