Os negociadores paquistaneses que mediaram as conversas entre Irã e os EUA anunciaram nesta noite de domingo que Washington e Teerã chegaram a um acordo de paz. O pacto será assinado na sexta-feira, na Suíça. Ele prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, coloca um fim ao bloqueio dos EUA aos portos iranianos e prorrogaria um cessar-fogo. Mas toda a negociação sobre o futuro do programa nuclear do Irã ainda terá de ser negociado, num prazo de dois meses.
A guerra que começou no dia 28 de fevereiro, sem que a Casa Branca jamais tenha explicado os motivos reais, estava abalando a popularidade de Trump. Com as eleições legislativas se aproximando, ele estava sob pressão para chegar a um acordo, mesmo que seus objetivos não tenham sido atingidos.
No Irã, uma emissora estatal informou que Teerã “forçou” os EUA a aceitarem seu acordo de paz. Segundo a agência de notícias iraniana Fars, foi decidido que o tráfego marítimo pelo Golfo Pérsico e pelo Estreito de Ormuz será regulamentado pelo Irã, em coordenação com Omã.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou o acordo. Mas indicou que as negociações sobre o programa nuclear iraniano só começarão após o desbloqueio dos ativos. Ele também indicou que as negociações para um acordo final continuariam por 60 dias e se concentrariam principalmente no levantamento das sanções.
Europeus sugerem retirar sanções
Entre as lideranças internacionais, vários chefes de estado apontaram o acordo como um marco importante. No G7, o presidente Emmanuel Macron comemorou o pacto.
Num comunicado conjunto, França, Reino Unido e Alemanha também destacaram que o acordo é uma “oportunidade para restaurar a estabilidade regional e estabilizar a economia global”.
“É vital que as negociações detalhadas sejam concluídas e que este acordo seja implementado de forma rápida e abrangente. Estamos prontos para apoiar esse esforço”, disseram.
Segundo os europeus, “a reabertura urgente do Estreito de Ormuz, com liberdade de navegação incondicional e irrestrita, é essencial”. “Estamos comprometidos em fazer a nossa parte para alcançar esse objetivo — em conformidade com as nossas respectivas exigências constitucionais — inclusive por meio de uma missão estritamente defensiva e independente para tranquilizar a navegação comercial e realizar operações de desminagem”, disseram.
O grupo insistiu que o Irã “jamais deve adquirir uma arma nuclear”. “Estamos prontos para trabalhar com os EUA, o Irã e a AIEA para esse fim. Estamos preparados para suspender as sanções pertinentes em resposta a medidas claras e verificáveis do Irã em relação ao seu programa nuclear”, confirmaram.
ONU fala em passo crucial
O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou o anúncio de que os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz que prevê um cessar-fogo imediato e permanente, a reabertura do Estreito de Ormuz, bem como uma estrutura para novas negociações. “Isso representa um passo crucial rumo à solução pacífica do conflito”, disse.
No sábado, Donald Trump já havia insistido que um acordo era iminente. Mas os iranianos negaram e indicaram que os prazos não teriam sido fechados. O pacto chegou a ser colocado em risco, depois que Israel voltou a atacar o Líbano, na manhã deste domingo. A ONU, políticos americanos e mesmo Trump criticaram o governo de Benjamin Netanyahu por tentar descarrilhar o pacto.
Mas a opção dos negociadores foi por continuar a buscar um acordo, o que teria sido finalmente obtido. Sua assinatura definitiva, porém, ocorrerá em Genebra.
O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, nas redes sociais.
Segundo ele, ambos os lados declararam o “cessar imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano”.
O primeiro-ministro agradeceu aos EUA e ao Irã por seu compromisso, bem como ao Catar por seu apoio “para alcançar este acordo”. “Gostaria também de agradecer especialmente à liderança visionária do Reino da Arábia Saudita e da República da Turquia por suas imensas contribuições a este respeito”, acrescentou.
Uma série de reuniões ocorrerá esta semana para estabelecer as bases para as negociações técnicas e a cerimônia oficial de assinatura, concluiu.
Trump: Deixem o petróleo fluir
Instantes depois, foi a vez de Trump ir às redes sociais para comentar o anúncio:
O acordo com a República Islâmica do Irã está concluído. Parabéns a todos! Autorizo integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir! Presidente DONALD J. TRUMP
Mais cedo, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o governo não cederia a pressões externas. “Não nos curvaremos a nenhum poder, mas nos consideramos responsáveis e devemos prestar contas ao povo iraniano e às suas demandas legítimas”, disse Pezeshkian.
Ele afirmou que o governo tem o dever de apoiar aqueles que defendem o país e a segurança pública, acrescentando que o Irã não pode pedir aos combatentes que se mantenham firmes enquanto ignora “seu apoio, instalações e necessidades”.




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