Por Brasil de Fato
A candidata Keiko Fujimori voltou a assumir a liderança na disputa pela Presidência do Peru após ultrapassar Roberto Sánchez durante a apuração do segundo turno. Com 98,215% das atas contabilizadas até a manhã desta quinta-feira (11), a representante da Força Popular aparece com 50% dos votos válidos, o equivalente a 9.032.651 votos.
Sánchez, da coalizão Juntos pelo Peru, soma 49,99%, com 9.032.000 votos. A diferença entre os dois é de apenas 651 votos. A disputa é uma das acirradas da história recente do Peru.
A nova virada ocorre três dias após Sánchez assumir a dianteira da contagem oficial. Na quarta-feira (10), o candidato de esquerda ainda liderava com 50,01% dos votos válidos, contra 49,98% de Fujimori, uma vantagem de 4.965 votos. Desde a tarde de segunda-feira (8), Sánchez havia permanecido à frente em todas as atualizações divulgadas pela Oficina Nacional de Processos Eleitorais (Onpe).
A mudança no cenário eleitoral foi impulsionada pelo avanço da apuração dos votos de peruanos residentes no exterior. Entre esse grupo, Fujimori recebeu 63,42% dos votos, enquanto Sánchez obteve 36,57%. Na manhã desta quarta-feira, cerca de 67% das atas do exterior haviam sido processadas. Com o avanço da contagem, que já ultrapassa 94% dessas atas, a vantagem do candidato da esquerda foi diminuindo até a ultrapassagem registrada durante a madrugada.
Os primeiros resultados oficiais divulgados após o fechamento das urnas, na noite de domingo (7), mostravam Fujimori com cerca de cinco pontos percentuais de vantagem. Conforme os votos das regiões rurais passaram a ser contabilizados, Sánchez reduziu a diferença e assumiu a liderança na tarde de segunda-feira. Em determinado momento, a vantagem do candidato chegou a superar 40 mil votos.

A autoridade eleitoral peruana informou que o resultado definitivo ainda pode levar dias para ser proclamado. O sistema eleitoral do país utiliza cédulas de papel e depende do envio físico das atas para os centros de processamento. Em diversas regiões da Amazônia e dos Andes, o transporte é realizado por embarcações ou por longos trajetos terrestres até locais com acesso às autoridades eleitorais.
Os dois candidatos evitaram se declarar vencedores. Keiko Fujimori afirmou que aceitará o resultado oficial, “qualquer que seja ele”, e pediu cautela aos apoiadores. “Nós o reconheceremos e instamos nosso adversário a fazer o mesmo. Ele já indicou que respeitará o resultado oficial, que será divulgado após a apuração de 100% dos votos”, disse. A candidata também destacou que “serão dias longos” e que ainda não existe um vencedor definido.
Sánchez adotou um discurso semelhante. O candidato pediu respeito ao processo eleitoral e afirmou que a disputa permanecia aberta. “Que a contagem prossiga dentro dos padrões de uma eleição transparente”, declarou durante encontro com apoiadores em Lima. Em outra manifestação, classificou o cenário como um “empate técnico”.
Aos 51 anos, Keiko Fujimori disputa a Presidência pela quarta vez. Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, ela foi derrotada no segundo turno das eleições de 2011, 2016 e 2021. Durante a campanha, defendeu medidas de combate ao crime organizado, fortalecimento das forças de segurança e estímulos ao investimento privado. Seu partido, a Força Popular, também saiu das eleições legislativas com a maior bancada do país.
Sánchez, de 57 anos, é congressista, ex-ministro e aliado político do ex-presidente Pedro Castillo. Durante a campanha, prometeu conceder indulto ao ex-mandatário, preso após a tentativa de dissolver o Congresso em 2022. O candidato também buscou moderar parte de seu discurso e afirmou que pretende manter relações “respeitosas” com os Estados Unidos. Sua base eleitoral está concentrada principalmente em áreas rurais e localidades afastadas dos grandes centros urbanos.
O vencedor assumirá o cargo em 28 de julho para um mandato de cinco anos.




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