Kássio é acusado de censura após determinar ocultação de pesquisa; Flávio evita comentar

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Por Augusto Tenório, Carolina Linhares, Caio Spechoto e Catia Seabra

(Folhapress) – A esquerda classificou como censura a suspensão da última pesquisa Atlas/Bloomberg, considerada negativa para Flávio Bolsonaro (PL), e ligou alerta sobre o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques. Enquanto isso, a direita foi discreta ao comentar a decisão, evitando levantar novamente o assunto da relação do pré-candidato à Presidência com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou à reportagem que Flávio Bolsonaro tem enfrentado “um profundo desgaste” após a revelação de que pediu dinheiro do então dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”. O deputado diz que o senador seguiu a máxima de “quando não consegue ganhar na mensagem, ataca o mensageiro”.

Para o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), Flávio deu um “tiro no pé” ao “pedir censura” por trazer “de volta o tema do vazamento do áudio”. A questão é que o próprio PL decidiu não fazer alarde em cima da decisão de Kassio Nunes Marques, que chegou ao STF (Supremo Tribunal Federal) por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O presidenciável do PL compartilhou a notícia em suas redes com os dizeres “TSE suspende pesquisa que induzia respostas contra Flávio Bolsonaro”, mas não divulgou nota ou vídeo sobre o tema. Entre os poucos deputados bolsonaristas que publicaram sobre o tema, Carlos Jordy (PL-RJ) chamou a pesquisa de fake.

Nos bastidores, porém, o PT ligou um alerta. Até então confiantes de que poderiam “neutralizar” uma suposta proximidade de Kassio com o bolsonarismo, lideranças do partido entendem que o presidente do TSE não está imune às pressões desse campo político.

Flávio Bolsonaro acionou a corte eleitoral no dia 19 de maio, pedindo a suspensão da pesquisa. Ou seja, foram 20 dias até a decisão desta segunda-feira (8), o que esvaziou o efeito prático da decisão contra o levantamento. Os petistas temem que, em casos futuros, Kassio Nunes Marques resista menos em atender os pleitos do PL.

Na cúpula do PT, a avaliação é de que se trata de uma determinação invasiva contra o método de pesquisa da Atlas. Além disso, na análise petista, os argumentos apresentados para retirar o levantamento do ar não se sustentam.

Apesar disso, o mais provável é que o partido não se envolva nessa discussão. O raciocínio é de que não vale a pena se indispor com o presidente do TSE com a eleição se aproximando por um assunto que não envolve diretamente o partido.

A pesquisa da Atlas foi encomendada pela Bloomberg. O levantamento, o primeiro divulgado após a revelação do caso Dark Horse, mostrou Flávio Bolsonaro seis pontos percentuais nas intenções de voto em um eventual segundo turno contra o presidente Lula.

De acordo com o questionário disponibilizado pela Atlas ao TSE, o conteúdo do áudio de Flávio a Vorcaro foi exibido aos entrevistados, mas como último item da pesquisa. Os eleitores que colaboraram para o levantamento foram submetidos a 48 perguntas, as primeiras delas sobre a intenção de voto.

O levantamento foi divulgado em 19 de maio. Foram ouvidas 5.032 pessoas através do método Atlas RDR, sigla em inglês para recrutamento digital aleatório, de 13 a 18 de maio.

Em nota, a AtlasIntel defendeu o rigor científico da pesquisa e disse que a coleta de intenções de voto ocorreu sem que o áudio fosse reproduzido durante a aplicação do questionário. Segundo a empresa, o material só foi apresentado aos usuários em uma etapa posterior -sem possibilidade de retornar às perguntas ou alterar as respostas já registradas.

A pré-campanha do PL afirmou que o questionário da pesquisa teria sido “estruturado de forma a induzir gravemente uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro”. O bolsonarista sustenta ainda que a disposição das perguntas e temas, com “uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas dos entrevistados”.





ICL Notícias

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